Padre Piero Coda: a urgência da crise ecológica interpela a humanidade
Comissão Teológica Internacional publica documento sobre o cuidado da Casa Comum
A Comissão Teológica Internacional publicou um novo documento intitulado “Cuidar da nossa Casa comum – Resposta responsável e fraterna ao Deus trinitário”. Em comentário sobre o texto, o secretário-geral do órgão, padre Piero Coda, afirmou que a urgência da crise ecológica interpela a família humana e que a reflexão busca estimular a redescoberta do fundamento teológico do cuidado da criação.
O documento, que não pretende ser exaustivo nem dar a última palavra sobre o assunto, propõe linhas de aprofundamento à luz da fé. Segundo o padre, a base da reflexão está na convicção de que a custódia e a salvaguarda da Casa comum estão inscritas no desígnio de Deus sobre a criação. O texto está estruturado em três capítulos.
O primeiro capítulo concentra-se na mensagem central da fé cristã: o rosto trinitário de Deus revelado em Cristo. O documento cita, entre outros, os ensinamentos de quatro Doutores da Igreja — Santo Agostinho, Santa Hildegarda de Bingen, São Boaventura e Santo Tomás de Aquino — e recorda a ênfase do Papa Francisco na descoberta da marca trinitária da criação como princípio orientador de uma ecologia integral. O padre Coda menciona ainda a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, que destaca o ser humano como “constitutivamente feito para a relação”.
O segundo capítulo relê as primeiras páginas do livro do Gênesis para propor uma antropologia integral. A visão cristã, segundo o documento, transcende a alternativa entre o antropocentrismo predatório e o biocentrismo radical, afirmando que a singularidade do ser humano se expressa na dignidade e na missão recebidas de Deus de cuidar da criação. O terceiro capítulo, por sua vez, delineia os traços de uma espiritualidade ecológica que encontra inspiração na celebração da Eucaristia e apresenta princípios éticos para orientar o cuidado da casa comum nos âmbitos pessoal e social.
O texto também propõe que o pecado contra o meio ambiente seja compreendido de maneira análoga às noções de pecado social e de estruturas de pecado. O padre Coda ressalta que a “virada ecológica” exige uma conversão que se expresse primeiramente no plano espiritual e religioso para, então, produzir efeitos nos campos cultural, social, econômico e político. O documento valoriza ainda a contribuição do Oriente cristão e das Igrejas ortodoxas, os recursos positivos de outras religiões e os dados do conhecimento científico, em diálogo com a filosofia.
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