Paes vai de “quase eleito” a margem estreita contra Ruas na reta final do 1º turno
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) iniciou a campanha ao governo do estado com chances reais de vitória confortável já no primeiro turno, segundo indicavam as principais pesquisas de intenção de voto. Com nome consolidado e apoio partidário há mais de um ano, Paes fez pré-campanha sozinho por meses enquanto adversários do grupo político do ex-governador Cláudio Castro (PL) perdiam viabilidade — a começar pelo próprio Castro, declarado inelegível pela Justiça Eleitoral e alvo de operações da Polícia Federal.
Nas últimas semanas, porém, o cenário se acirrou. Adversários menores que disputam votos na mesma faixa do eleitorado multiplicaram-se, reduzindo a margem de Paes nas sondagens. Paralelamente, a direita se reorganizou em torno de Douglas Ruas (PL), que consolidou uma candidatura forte e aproximou a disputa na reta final do primeiro turno.
Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira (30) aponta diferença de cinco a seis pontos percentuais entre Paes e Ruas nos dois principais cenários de primeiro turno testados. Um deles inclui Anthony Garotinho (Republicanos), cuja candidatura foi indeferida por unanimidade pelo TRE-RJ, decisão ainda sujeita a recurso no TSE. No cenário de segundo turno entre os dois, Paes aparece com 41% contra 36% de Ruas — cinco pontos de diferença, no limite da margem de erro. Brancos e nulos somaram 10%, e 13% não souberam ou não responderam. O levantamento ouviu 2.000 eleitores entre 25 e 29 de setembro, com nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais, registrado no TSE sob o número RJ-08712/2026.
Para o cientista político Samuel Oliveira, Ruas passou a converter o voto do ex-presidente Bolsonaro e de seus apoiadores em voto para governador. "O interessante é que o Paes não propriamente perdeu uma eleição que estava ganha. O que aconteceu foi que a oposição finalmente encontrou um candidato", afirmou à Gazeta do Povo. Segundo ele, a mudança é menos uma fuga do eleitor de Paes e mais uma consolidação tardia do eleitor que já estava disposto a votar contra ele.
Oliveira avalia que a nacionalização da disputa na reta final expõe uma fragilidade da estratégia de transversalidade de Paes. "Quando a disputa se nacionaliza na reta final, identidade política passa a valer mais: Ruas precisa dizer com clareza de que lado está, enquanto Paes precisa administrar uma coalizão eleitoral muito mais contraditória", analisa. Para o cientista político, a eleição do Rio deixou de ser quase um plebiscito sobre a experiência administrativa de Paes e começou a se comportar como uma disputa entre campos políticos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar