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Os protestos em massa em Madri provocados por despejo de idosa de 87 anos de apartamento alugado

Por Ivan Marra
Atualizado em 28/09/2026 às 12:25 schedule 3 min de leitura visibility 10 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Milhares de pessoas foram às ruas no centro de Madri neste fim de semana para protestar contra o despejo de uma idosa de 87 anos do apartamento onde vivia como inquilina, episódio que expôs a crise de moradia na Espanha. Segundo números do governo, cerca de 25 mil pessoas se manifestaram no sábado na capital, e aproximadamente 500 acamparam na Puerta del Sol, uma das praças mais movimentadas da cidade.

Os manifestantes montaram barracas em frente à sede do governo regional de Madri e anunciaram a intenção de permanecer no local até que as autoridades atendam às reivindicações sobre habitação. Com faixas como "Todos somos Maricarmen", "Expropriar os rentistas" e "Ação direta e ocupação", além de bandeiras da Palestina e símbolos de sindicatos e movimentos, os participantes organizaram assembleias, oficinas, discursos e apresentações musicais. O Sindicato dos Inquilinos de Madri, que defende a proibição da compra de imóveis por quem não vai residir neles, divulgou o lema: "Ou o rentismo cai ou o governo cai". As críticas se dirigem ao governo nacional e às autoridades regionais e municipais.

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O estopim foi o despejo de María del Carmen Abascal, conhecida como Maricarmen, que na quarta-feira passada teve de deixar o apartamento em Madri onde vivia de aluguel havia sete décadas. Os tribunais consideraram encerrado o contrato de 1956 que ela havia herdado dos pais e deram razão à Urbagestión, empresa proprietária do imóvel, que buscava recuperá-lo.

As mobilizações ocorrem em um momento de alta nos preços de compra e aluguel de imóveis na Espanha, especialmente nas grandes cidades. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, os preços subiram 12,2% na comparação anual no segundo trimestre de 2026 e 12,9% na Comunidade de Madri. Entre 2021 e 2025, foram construídas 750 mil moradias a menos do que o necessário para atender à demanda, segundo dados do Banco da Espanha.

O Sindicato dos Inquilinos exige contratos por prazo indeterminado ou renovação automática, congelamento dos aluguéis, proibição de despejos sem oferta de moradia alternativa e punição ou proibição de aluguéis por temporada e por quartos, além da expropriação de imóveis de empresas e fundos de investimento que chama de "fundos abutres". Alguns economistas questionam as propostas e defendem que aumentar a oferta de moradias é o único remédio para a escassez, alertando que limitar aluguéis e impedir a recuperação de imóveis pode agravar a situação. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que trabalha para levar um decreto sobre moradia ao Conselho de Ministros na próxima terça-feira. A vice-presidente Yolanda Díaz apoiou a mobilização e pediu medidas contra os fundos imobiliários. A porta-voz do Sindicato dos Inquilinos, Alicia del Río, advertiu que o acampamento continuará caso o decreto não inclua contratos por prazo indeterminado, e a organização pediu às centrais CCOO e UGT que convoquem greve geral se a norma não for aprovada. O Partido Popular apresentou propostas alternativas, e a Prefeitura de Madri criticou o acampamento e acusou o governo central de "omissão de funções". Protestos também foram registrados em Barcelona, Alicante e Santiago de Compostela, e, segundo a imprensa espanhola, foram convocados atos em 40 cidades do país.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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