Os ataques cibernéticos a aplicativos de alertas de emergência na Rússia e Ucrânia
Os aplicativos oficiais de alerta de emergência da Ucrânia e da Rússia foram alvo de ataques cibernéticos na noite de domingo (1/11), segundo informaram autoridades dos dois países. Os invasores usaram os sistemas para enviar mensagens falsas à população, incluindo avisos de ameaças nucleares, radiológicas e químicas.
Na Ucrânia, o aplicativo Air Alert, mantido pelo Ministério da Transformação Digital, disparou avisos de nível vermelho para todo o país por volta das 22h47, no horário local. Entre as mensagens enviadas a moradores de Kiev estavam alertas de "ameaça de radiação", "ameaça química" e "confrontos de rua", além de um texto em russo que mencionava o míssil balístico Oreshnik. O ministério afirmou que desativou temporariamente o aplicativo para manutenção após ele aparentemente ter sido comprometido. A Agência Central de Inteligência do país pediu à população que recorresse a outras fontes de informação e esclareceu que não havia ameaça de radiação, apesar de alto-falantes na região de Lviv terem acionado um aviso de risco radiológico.
Oleksander Merezhko, presidente da comissão de relações exteriores do Parlamento ucraniano e integrante do partido Servo do Povo, do presidente Volodymyr Zelensky, disse à BBC que o episódio não gerou pânico. Segundo ele, os ucranianos, especialmente em Kiev, estão acostumados a alertas praticamente ininterruptos, e o fato de uma das mensagens estar em russo despertou suspeitas de imediato. "É um fato muito desagradável, mas faz parte da guerra cibernética e as pessoas na Ucrânia entendem isso", afirmou. Autoridades regionais, como as chefes das regiões de Ivano-Frankivsk e Vinnytsia, também publicaram avisos no Telegram para tranquilizar a população e alertar sobre possíveis tentativas de phishing.
Poucas horas depois, o Ministério de Situações de Emergência da Rússia informou que seu aplicativo sofreu um "ataque cibernético massivo", que enviou "informações falsas ao público". A agência de notícias ucraniana UNN, citando o grupo Atesh, que atua em território controlado pela Rússia, relatou que os alertas falsos tratavam de ameaças nucleares dentro do país. O ministério russo afirmou que especialistas trabalhavam para restabelecer o funcionamento normal do aplicativo, mas sustentou que o ataque não afetou o sistema de alerta geral, que também utiliza sirenes, alto-falantes, mensagens de texto e transmissões de TV e rádio.
Especialistas em segurança cibernética avaliam que o episódio representa uma nova linha de aparentes ataques russos. "Acho que é a primeira vez que isso acontece com um aplicativo oficial de informações ucraniano, mas suspeito que não será a última", disse Herbert Lin, pesquisador de política e segurança cibernética da Universidade Stanford, à BBC. Os alertas ocorreram poucos minutos antes do fim de um cessar-fogo localizado na região de Kherson, encerrado oficialmente às 23h de domingo.
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