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Os adolescentes chineses que consomem medicamentos para adormecer a mente e 'fugir da realidade'

Por Ivan Marra
Atualizado em 05/09/2026 às 19:35 schedule 3 min de leitura visibility 23 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uma investigação da BBC na China revelou que dezenas de adolescentes estão recorrendo a medicamentos controlados, vendidos ilegalmente pela internet, como forma de escapar da pressão escolar e da ansiedade causada pelos exames. Em salas de bate-papo em redes sociais, jovens compartilham experiências e até se aconselham sobre quais substâncias usar para obter uma "euforia farmacêutica".

Um dos casos documentados é o de Xiaomei, uma estudante de 14 anos de uma província litorânea. Ela começou a tomar doses excessivas de um medicamento para tosse, comprado online sem receita, após sugestão de um colega mais velho. Com o tempo, passou a experimentar outros remédios, como analgésicos e anticonvulsivantes, chegando a ingerir mais de dez comprimidos de uma vez. "Quando me sentia muito pressionada pelos estudos, ia mal nos exames ou discutia com meus pais, eu tomava esses remédios. Eu tentava fugir da realidade", contou à BBC.

O acesso a essas substâncias é facilitado pelo baixo custo e pela falta de fiscalização nas plataformas de compra. Xiaomei relatou que bastava digitar o número de identidade para receber uma caixa completa em casa, sem qualquer questionamento. Em um chat online, a BBC recebeu a oferta de um medicamento por cerca de R$ 7,65 o grama. Quando as autoridades controlam uma substância, os jovens rapidamente encontram alternativas, muitas vezes usando codinomes para evitar a detecção, prática já identificada em um relatório de 2025 do Ministério da Justiça chinês.

Especialistas apontam que a raiz do problema está na pressão acadêmica extrema. O sociólogo Xiang Biao, do Instituto Max Planck de Antropologia Social, explica que o sistema educacional chinês mantém os estudantes isolados por longas horas e que as famílias, muitas vezes com um único filho, depositam neles todas as expectativas de futuro. "O que diferencia os adolescentes chineses é o seu ambiente de isolamento. Eles passam pelo menos nove ou dez horas na escola e têm poucas possibilidades de formar relações sociais", afirmou.

Xiaomei, que integrava uma classe de elite de química, disse que muitos colegas comentavam sobre o uso de medicamentos para evitar a sensação de serem "fracassados". Ela própria sofreu consequências: após experimentar um remédio para epilepsia antes de um exame, sua memória se deteriorou rapidamente. O governo chinês já classificou um dos medicamentos como psicotrópico e, em abril, endureceu o controle sobre outra substância, mas o problema persiste entre menores de idade, conforme alerta a Comissão Nacional de Controle de Narcóticos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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