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'EUA em primeiro lugar': como Trump troca diplomacia por aliados políticos e tensiona a relação com o Brasil

Atualizado em 05/09/2026 às 19:50 schedule 3 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)

A crise entre Brasil e Estados Unidos, agravada na semana passada com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, ocorre em um contexto mais amplo de transformações na diplomacia americana. Desde o início do segundo mandato, em 20 de janeiro de 2025, o presidente Donald Trump adota uma política externa descrita por analistas como "transacional", focada em maximizar ganhos imediatos para os EUA, com iniciativas como guerras tarifárias e tentativas de influenciar eleições e assuntos domésticos de outros países.

As mudanças têm sido profundas no Departamento de Estado, segundo diplomatas americanos e estrangeiros. A American Foreign Service Association (AFSA), que representa diplomatas de carreira, calcula que cerca de 3 mil dos 14 mil integrantes do quadro tenham pedido demissão, se aposentado ou sido forçados a sair nos últimos 18 meses. "São diplomatas de carreira com décadas de experiência, que sabem como negociar com governos estrangeiros", diz um representante da associação à BBC News Brasil. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirma que a redução faz parte de uma "reestruturação histórica" para viabilizar uma diplomacia alinhada ao lema "America First" ("EUA em primeiro lugar").

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DEVIEM

Dados da AFSA até 10 de agosto mostram que, dos 113 nomeados por Trump para postos de embaixador, apenas 20 são diplomatas de carreira — menos de 18%, o menor percentual da história recente. Em governos anteriores desde Gerald Ford (1974-1977), inclusive no primeiro mandato de Trump, esse índice foi de cerca de 60% ou mais. Além disso, 97 dos 196 postos de embaixador dos EUA permanecem sem titular confirmado. No mesmo ponto do governo Biden, eram 55. Pigott diz que, onde não há embaixador aprovado, "experientes encarregados de negócios lideram as missões".

É o caso de Brasília, sem embaixador desde a saída de Elizabeth Bagley. Em junho, a Casa Branca indicou Daniel Perez, deputado estadual da Flórida, para chefiar a Embaixada no Brasil. Perez foi aprovado pelo Senado americano no início de agosto, mas ainda precisa do agrément, o aval do governo brasileiro. Os EUA só pediram o consentimento depois de publicar o nome e submeter a indicação ao Senado, o que contraria a praxe diplomática. Segundo fontes diplomáticas, a alteração do visto de Viotti foi motivada pela insatisfação americana com a demora do Brasil em conceder o aval e pela recusa de vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que planejavam viajar ao país.

O Planalto repudiou a decisão e afirmou que "não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément", que o pedido "ainda se encontra em análise" e que os funcionários americanos pretendiam "colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional". Os EUA negam a alegação. Entre outras medidas recentes estão a designação de CV e PCC como organizações terroristas, novas tarifas sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades. Em 13 de agosto, o Brasil anunciou processo de reciprocidade relativo às tarifas. O diplomata aposentado Ricardo Zúniga, com 30 anos de carreira, afirma que nunca viu um caso como o atual: "Nenhuma Casa Branca antes, mesmo no primeiro mandato do presidente Trump, cometeu esse erro de procedimento protocolar".

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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