Oposição pressiona Senado por impeachment de Dino após operação contra Frias
A liderança da oposição na Câmara dos Deputados classificou como “perseguição política” a operação da Polícia Federal que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão, entre eles um contra o deputado federal Mário Frias (PL-SP), autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Em nota assinada pelo deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e divulgada nesta quinta-feira (10), o grupo cobrou explicações do ministro sobre os fundamentos da medida e questionou qual “fato novo” teria justificado a ação em período eleitoral.
No mesmo documento, a oposição voltou a pressionar o Senado pela análise de um pedido de impeachment contra Dino. O grupo afirma que o episódio não pode ser examinado de forma isolada e sustenta que a autorização partiu do mesmo ministro que, na véspera, derrubou de forma monocrática uma decisão já respaldada pela maioria de seus pares, contrariando o ministro André Mendonça, relator das investigações.
Mais cedo, a oposição já havia anunciado um pedido de impeachment contra Dino, baseado na decisão que confrontou a liminar de André Mendonça e reintegrou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. O presidente do Supremo, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões, mantendo os servidores nos cargos, além de retirar de Moraes a relatoria do inquérito das fake news.
A operação Make Up ocorre logo após a medida de Fachin para tentar arrefecer a crise interna na Corte. Além de Frias, a corporação executou outros 48 mandados de busca e apreensão emitidos por Dino. A investigação trata da suspeita de direcionamento de emendas parlamentares para o financiamento do filme Dark Horse. Em março de 2026, Dino determinou que o deputado prestasse esclarecimentos sobre suspeitas de irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina.
A PF apura subcontratações realizadas pelo ICB com recursos públicos sem comprovação da execução dos serviços contratados, além de outras suspeitas na movimentação dos valores, para determinar se parte dos recursos beneficiou a produção do filme. Frias destinou R$ 2 milhões ao instituto por meio de duas emendas de 2024, com R$ 1 milhão vinculado a cada projeto — um deles destinado ao projeto Lutando pela Vida, para aulas de jiu-jitsu em Pirassununga e São Paulo, e o outro ao projeto Jovem Empreendedor. O parlamentar nega qualquer irregularidade, classifica a imputação como “puramente especulativa” e afirma que as emendas possuem toda a documentação exigida.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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