O que se sabe sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após ordem de Moraes
O senador Flávio Bolsonaro (PL) teria desembarcado na noite desta terça-feira (27) nos Estados Unidos, após descumprir ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que o proibia de deixar o Brasil. A chegada ao território americano e a forma como o senador saiu do país, no entanto, ainda são incertas.
O senador não se manifesta publicamente desde a tarde de segunda-feira (26). A primeira informação sobre a viagem partiu do site argentino Infobae, que relatou nesta madrugada que ele teria viajado de jatinho particular primeiramente à Argentina, governada pelo aliado Javier Milei, e seguido de lá aos Estados Unidos. Na tarde de terça, fontes ligadas à Polícia Federal confirmaram à Gazeta do Povo que Flávio deixou o Brasil com destino à Argentina e, em seguida, aos EUA. Autoridades argentinas chegaram a afirmar, pouco depois do meio-dia, não ter registro da entrada do senador no país; a imprensa local sustenta que ele teria cruzado a fronteira a pé.
Cronologia do caso
- 18 de outubro: torna-se público que Flávio é alvo de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz. O inquérito é sigiloso, e a defesa afirma que a relação entre os dois se limita à amizade entre as famílias.
- 23 de outubro: Moraes autoriza a quebra dos sigilos da offshore Alcazar Holdings, de Tomaz, e o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado, além de cancelar seus passaportes e suspender as atividades de suas empresas. No mesmo dia, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defende que o irmão deixe o Brasil caso perca as eleições.
- 25 de outubro: Flávio vota no Rio de Janeiro e retorna a Brasília. À noite, o TSE confirma a vitória de Lula. Segundo o senador Rogério Marinho (PL-RN), sete minutos após o anúncio a PF teria pedido medidas cautelares contra Flávio, citando a declaração de Eduardo e a capacidade de Tomaz de sustentá-lo em Miami, onde o advogado mora desde agosto.
- 26 de outubro: Moraes determina que Flávio entregue os passaportes em 24 horas, proíbe sua saída do país e o contato com Tomaz. O senador divulga vídeo informando que foi intimado e afirma não ter intenção de sair do Brasil. Após a publicação, não é mais visto em público.
- 27 de outubro: o prazo para entrega dos documentos vence ao meio-dia sem que sejam apresentados. A PF investiga o paradeiro do senador. Deputados do PT pedem sua prisão preventiva por descumprimento de ordem judicial. À noite, jornais brasileiros noticiam que Flávio, a esposa e as duas filhas teriam desembarcado em Miami, recebidos por Eduardo.
A ordem contra Flávio integra uma sequência de medidas impostas por Moraes a integrantes da família Bolsonaro. Em julho de 2025, o ministro determinou buscas na residência de Jair Bolsonaro, impôs tornozeleira eletrônica e restringiu comunicações; no mês seguinte, converteu as cautelares em prisão domiciliar e, em novembro, decretou a prisão preventiva do ex-presidente. Em julho de 2026, publicações de Flávio foram usadas para suspender suas visitas ao pai por 90 dias. Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF por coação no curso do processo, com pena de quatro anos e dois meses, suspensão dos direitos políticos e cancelamento de seus passaportes.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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