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O poço que jorra água mineral sem bomba há 50 anos no sertão brasileiro

Por Ivan Marra
Atualizado em 07/11/2026 às 14:35 schedule 3 min de leitura visibility 14 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Localizado em Alvorada do Gurguéia, no sul do Piauí, o Poço Violeto foi aberto em 1973 pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, atual Serviço Geológico do Brasil (SGB), durante trabalhos de pesquisa na região. De acordo com a prefeitura, é reconhecido como o maior poço de água mineral do Brasil e o segundo maior do mundo. Dados do SGB apontam vazão de aproximadamente 1 milhão de litros por hora — cerca de 16,7 mil litros por minuto.

A água chega à superfície sem a necessidade de bombas, impulsionada pela pressão natural do aquífero subterrâneo. A estrutura tem duas perfurações: uma alcança 1 mil metros de profundidade e a outra chega a 780 metros. O geólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Marcos Nascimento explica que o poço funciona como um reservatório subterrâneo de água sob pressão. “A água fica armazenada em rochas areníticas permeáveis e confinada por camadas menos permeáveis, o que permite o acúmulo de pressão ao longo do percurso subterrâneo”, afirma.

Segundo o especialista, quando o poço atravessa essas camadas, a pressão hidráulica do aquífero impulsiona a água naturalmente até a superfície. “É como abrir uma pequena ‘torneira’ em uma enorme caixa-d’água subterrânea. Por isso, o jorro pode ultrapassar 30 metros de altura, revelando a força da água armazenada nas rochas e fazendo do Poço Violeto um exemplo espetacular de artesianismo no Piauí”, diz Nascimento.

“Nasci e me criei aqui, e o Poço Violeto faz parte da minha vida. Ele é uma das maiores riquezas da nossa região”, diz Antonio José Cruz, de 51 anos, proprietário de um empreendimento turístico e das terras ao redor do poço. O genro dele, Valmir Paixão Silva, compartilha a gestão de uma pousada, área para camping, restaurante e piscina abastecida com as águas do poço. Segundo Silva, o nome está relacionado ao pau-violeta, árvore de madeira roxa abundante no local — referência à espécie Dalbergia cearensis, o jacarandá-violeta. Ele relata que as terras da família ficam no entorno do poço, enquanto uma área de 50 metros quadrados pertence ao governo.

O atrativo recebe visitantes de diferentes regiões e países, como Argentina e Espanha, alguns hospedados na pousada e outros em acampamentos. No restaurante, a procura maior é por peixe tambaqui e carne de sol. O Poço Violeto integra o vale do Gurguéia, considerado pelo IBGE zona estratégica para a produção de água subterrânea no Piauí devido ao potencial dos aquíferos Cabeças e Serra Grande, com níveis relativamente rasos em alguns pontos, água de boa qualidade e vazões elevadas. A água tem origem na Bacia Sedimentar do Rio Parnaíba, apontada como a terceira maior reserva de água subterrânea do Brasil. Apesar da disponibilidade hídrica, o aproveitamento permanece limitado: estimativas indicam que apenas 10% do volume que jorra dos poços é utilizado na agricultura e na irrigação. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar) monitora os poços.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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