Eliana Alves Cruz questiona ausência de autoras negras no Jabuti
A escritora, jornalista e roteirista Eliana Alves Cruz afirma que o reconhecimento de autoras negras pela literatura brasileira chega com atraso. Ela própria se tornou a primeira mulher negra a vencer o Jabuti na categoria Romance, feito que, segundo avalia, deveria causar estranheza não por sua condição, mas por ter ocorrido somente na 68ª edição da premiação. Para ela, escritoras como Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves já poderiam ter recebido essa honraria.
O interesse pela escrita acompanha Eliana desde a infância. Aos 11 anos, registrou em um diário o desejo de ser escritora, mas levou tempo até acreditar que poderia transformar a vocação em profissão. A relação com a literatura foi cultivada em casa, pelo pai e pelas avós, que gostavam de contar histórias. Ao longo dos anos, encontrou no jornalismo uma forma de exercer a escrita e garantir o sustento, atuando também como assessora de comunicação na Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos.
Foi após adoecer, em 2009 e 2010, em razão de uma rotina exaustiva de trabalho, que decidiu se dedicar às pesquisas que dariam origem a seu primeiro livro de sucesso, Água de Barrela. A obra narra a saga de sua família, descendente de africanos escravizados trazidos para o Brasil. Com o livro, venceu a primeira edição do Prêmio Literário Oliveira Silveira, promovido pela Fundação Cultural Palmares, em 2015 — conquista que a incentivou a seguir na literatura.
Desde então, outros livros e premiações consolidaram sua trajetória. Em 2022, recebeu seu primeiro Jabuti, na categoria Contos, com A vestida. Em 2026, voltou a ser premiada com Meridiana, que narra a trajetória de uma família negra que vive em uma favela e busca ascender socialmente. Com a mesma obra, recebeu o Prêmio Guimarães Rosa, da Academia Brasileira de Letras, em 2025, na categoria Ficção. No próximo dia 17 de novembro, a escritora tomará posse como membro da Academia Carioca de Letras.
O racismo e a escravidão são temas recorrentes em sua produção. Com O crime do Cais do Valongo, percebeu que começava a desenvolver um projeto literário dedicado a investigar a vida negra no Brasil. Na interseção entre jornalismo e literatura, Eliana também apresentou o programa Trilha de Letras, na TV Brasil, e espera que a produção volte à programação.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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