O erro mais comum na redação do Enem e como evitar que ele derrube sua nota
A redação do Enem é avaliada em cinco competências, cada uma valendo de zero a 200 pontos: domínio da escrita formal; compreensão e desenvolvimento do tema; seleção e organização de argumentos; uso dos mecanismos linguísticos da argumentação; e elaboração de proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Segundo corretores ouvidos pela BBC News Brasil, o erro estrutural mais comum entre os estudantes é não construir uma linha de argumentação ao longo do texto.
De acordo com Eva Albuquerque, professora de redação do Cursinho da Poli, em São Paulo, é frequente que as redações se percam sem seguir a estrutura exigida pelo Enem — introdução, desenvolvimento e conclusão. Nesses casos, falta o que ela chama de "projeto de texto": o aluno não tem claro como vai abordar o tema, quais argumentos usará e qual proposta de intervenção apresentará. Fabiano Gonçalves, do Instituto Proa, recomenda que a introdução traga uma tese bem elaborada, seguida de argumentação com dados factuais e referências, e de uma conclusão embasada nos dados apresentados no próprio texto.
Além da falta de planejamento, os corretores apontam outros erros recorrentes. Escrever em primeira pessoa, com expressões como "acho que" ou "opino que", é visto como sinal de que o aluno não entende a estrutura exigida. Fugir do tema proposto ou tangenciá-lo também custa pontos — Daniely do Nascimento, ex-corretora do Enem, cita o caso de candidatos que, diante do tema sobre a formação educacional de surdos, se dispersaram em assuntos relacionados, mas distintos. Repetir frases e "encher linguiça" com argumentos genéricos e usar linguagem informal, com abreviações e gírias típicas da internet, completam a lista de falhas comuns.
Como precaução, os especialistas sugerem dedicar alguns minutos, antes do rascunho, a planejar o esqueleto do texto: como entrar no tema, quais são os argumentos principais e secundários e qual será a conclusão. Gonçalves recomenda treinar o uso do tempo, cronometrando a escrita de um tema em cerca de uma hora, período aproximado dedicado à redação no dia da prova. Eva Albuquerque orienta ainda que, para quem tem dificuldade de iniciar o texto, uma boa estratégia é citar referência histórica ou obra cultural relacionada ao tema. A recomendação vale também para a linguagem: ser objetivo e claro, sem tentar usar palavras rebuscadas que o candidato não domina.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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