Mounjaro, escala 6×1, petróleo: as “cartadas econômicas” de Lula para o 2º turno
A menos de três semanas do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta em um pacote de medidas econômicas de apelo direto ao eleitor para tentar reverter a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno. A lista inclui o fim da escala de trabalho 6x1, a distribuição de canetas emagrecedoras como Mounjaro e Ozempic pelo SUS, o reajuste do teto do MEI e a exploração de terras raras e de petróleo na Margem Equatorial.
Em discurso após o resultado do primeiro turno, Lula citou o desenvolvimento de terras raras e minerais críticos, a nova descoberta de petróleo e o fornecimento gratuito dos medicamentos contra a obesidade pelo SUS. Flávio Bolsonaro registrou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula — vantagem de 1,87 ponto percentual, pouco mais de 2,2 milhões de votos. A campanha do petista concentra-se em mobilizar os 33 milhões de eleitores que se abstiveram (21,1% do eleitorado) e atrair os 9,3 milhões de votos dados a candidatos fora do segundo turno.
A principal aposta é a extinção da escala 6x1, com redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. Após acordo entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a análise da proposta será retomada em sessões plenárias agendadas para esta semana. Entidades de comércio, serviços e indústria argumentam que a redução da jornada sem corte salarial elevaria custos em setores de funcionamento contínuo. Estudo divulgado em setembro pelo FGV Ibre aponta que o custo da mão de obra pode aumentar 20% para as empresas, com possibilidade de repasse aos preços.
O reajuste do teto do MEI também integra o portfólio: o limite anual de faturamento está congelado em R$ 81 mil desde 2018, e Lula prometeu elevá-lo para R$ 140 mil, permitindo a contratação de um segundo funcionário. A mudança deixaria mais empreendedores no regime simplificado, com menor carga tributária e burocrática.
Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam com ceticismo a eficácia do pacote. O cientista político Rogério Baptistini, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que o governo não definiu com clareza como conciliaria responsabilidade de mercado e expansão de políticas sociais. Já Luan Sperandio, do Ranking dos Políticos, diz que a reeleição é julgada pelas entregas reais e que, quando a inflação percebida corrói ganhos e o endividamento sufoca a renda, acenos de última hora perdem força. Dados do Tesouro Nacional citados na reportagem apontam que as despesas totais cresceram cerca de 5% ao ano acima da inflação entre 2023 e 2025, e a Selic está em 13,75% ao ano.
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