Missão digital e comunhão eclesial: entre a torre e o muro
Em artigo publicado pela Vatican News, o padre Marcio Tadeu reflete sobre os desafios da missão digital católica e o risco de afastamento da comunhão eclesial por parte de influenciadores que constroem grandes audiências nas redes sociais. O texto parte de um trecho da carta aos Gálatas, em que Paulo critica um povo que, tendo vivido a liberdade do Evangelho, se deixou seduzir por vozes que prometiam um conhecimento superior.
Segundo o autor, o problema não está em discordar de posicionamentos de representantes oficiais da Igreja, o que sempre existiu, mas em transformar essa discordância em espetáculo e em conteúdo movido por algoritmos que se alimentam da ira. Ele cita a mensagem do Papa Francisco para o 58º Dia Mundial das Comunicações Sociais, na qual o pontífice afirma que os algoritmos não são neutros, e alerta para o risco da câmara de eco, em que o influenciador passa a confundir sua bolha com a Igreja inteira. O texto também menciona a encíclica Fratelli Tutti, que trata dos fanatismos entre pessoas religiosas e da tolerância à difamação e à calúnia em redes de violência verbal na internet.
O autor reconhece, por outro lado, que as ferramentas digitais podem romper barreiras de ignorância e tornar acessível um patrimônio de conhecimento antes restrito a especialistas. Ele cita leigos que explicam o catecismo com clareza e padres que usam vídeos curtos para levar passagens do Evangelho a quem jamais entraria numa igreja por conta própria. Para o articulista, a rede social não é o problema em si; o problema começa quando quem fala em nome da fé trata a própria audiência como medida da verdade.
O texto recorre à primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas, publicada em maio, sobre a custódia da pessoa humana no tempo da inteligência artificial. Nela, o pontífice usa duas imagens bíblicas: a torre de Babel, erguida por um povo que queria um só nome e terminou disperso, e Neemias, que ao chegar a Jerusalém em ruínas examina o estrago em silêncio, reúne as famílias e distribui um pedaço do muro para cada uma reconstruir. Leão XIV escreve que a escolha real não é entre dizer sim ou não à tecnologia, mas entre erigir Babel ou reconstruir Jerusalém.
O autor conclui que o convite não é parar de usar as redes, mas lembrar que a Igreja não é feita de perfis certos contra perfis errados, e sim de homens e mulheres que aceitam formar comunhão com quem discorda. O artigo é assinado por Marcio Tadeu, sacerdote na Diocese de Votuporanga (SP), pároco, professor, pós-graduado em Bioética pela Cátedra da UNESCO e apresentador na RedeVida.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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