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“Magnifica Humanitas”: “talvez se possa abrandar” a “corrida ao armamento tecnológico"

Por Ivan Marra
Atualizado em 10/09/2026 às 20:35 schedule 3 min de leitura visibility 39 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A teóloga Sónia Monteiro avalia que a encíclica “Magnifica Humanitas”, de Leão XIV, traz uma preocupação central com o uso da inteligência artificial aplicada ao armamento. Segundo ela, o avanço das chamadas armas tecnológicas torna impossível calcular a proporção do dano causado, o que compromete um dos princípios fundamentais da teoria da guerra justa.

“É impossível falar de guerra justa” quando não se consegue controlar ou mensurar as consequências de um ataque, afirma a teóloga. Ela lembra que, no contexto clássico da guerra justa, além da legítima defesa, havia o critério da proporcionalidade — que, diante do armamento tecnológico, deixa de poder ser cumprido. “Não vamos falar de guerra justa quando de repente, por causa de uma invasão, que é grave, destruímos por completo com armas tecnológicas toda uma nação”, diz.

Para Sónia Monteiro, é preciso insistir em um abrandamento. Ela observa que a Igreja tem deslocado o discurso da guerra justa para a paz justa, e defende que essa reflexão alcance também representantes do Estado e figuras de empresas multinacionais. “Se for suficiente para trazer, de um ponto de vista diplomático e estratégico, representantes do Estado, figuras de empresas multinacionais, para este discurso, para este movimento, talvez se possa abrandar um modo desenfreado que há neste momento de corrida ao armamento tecnológico”, afirma.

A teóloga ressalta ainda que o tema diz respeito a toda a sociedade, independentemente de crença religiosa. Segundo ela, estão em jogo questões como paz, liberdade, controle e trabalho, além da própria condição humana. “É um tema que diz respeito à casa comum”, diz, comparando o potencial de mobilização da encíclica ao que ocorreu com a “Laudato si”.

Sónia Monteiro é professora auxiliar convidada na Universidade Católica Portuguesa e tem doutoramento em Teologia Sistemática pela Universidade de Fordham, em Nova York. Sobre o mesmo tema, o teólogo João Duque, professor de Teologia na Universidade Católica Portuguesa, afirma que a encíclica permite repensar o que qualifica o ser humano. Para ele, “não podemos delegar a nossa humanidade para as máquinas” nem abandonar a própria humanidade transformando-nos em imitação das máquinas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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