Justiça do Paraguai decreta prisão de Miguel Vázquez após colapso do Ueno Bank
O empresário Miguel Vázquez, de 36 anos, foi preso preventivamente no Paraguai após a quebra do Ueno Bank, instituição que ele fundou e que se tornou um dos maiores bancos do país. A crise financeira provocou uma onda de instabilidade política e levou à renúncia do presidente Santiago Peña, que agora enfrenta processo de impeachment no Senado.
Herdeiro de uma família com tradição nos negócios, Vázquez começou a trabalhar cedo na Credicentro, financeira fundada por seu pai para atender pessoas com pouco acesso a crédito. Sob sua liderança, a empresa se transformou no Ueno Bank em 2023. Ele expandiu o negócio rapidamente ao comprar o Visión Banco e focar em tecnologia e serviços digitais, chegando a administrar quase 3 bilhões de dólares em depósitos. O empresário tinha o sonho de criar o primeiro "unicórnio" paraguaio — denominação dada a empresas avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares.
A crise estourou quando o Banco Central do Paraguai identificou que o Ueno Bank não tinha dinheiro suficiente para garantir suas operações, com um índice de saúde financeira caindo pela metade do exigido por lei. As investigações revelaram que o banco emprestava valores muito altos para outras empresas que pertenciam ao próprio Vázquez, muitas vezes sem garantias adequadas ou documentos corretos. Diante das irregularidades e do risco aos 3 milhões de clientes, a Justiça determinou a prisão preventiva do banqueiro e o bloqueio de bens de cerca de 28 empresas ligadas ao seu grupo econômico.
Após a decisão judicial, as autoridades iniciaram uma varredura para preservar o patrimônio que poderá ser usado para ressarcir possíveis vítimas ou cobrir dívidas. Foram apreendidos um iate de luxo da marca italiana Azimut Yachts, encontrado em um condomínio privado no sul do país, duas aeronaves e nove veículos de alto padrão. Apenas a frota de carros foi avaliada em cerca de 1,4 milhão de dólares. O objetivo do Ministério Público é evitar que os ativos sejam escondidos ou vendidos.
O caso abalou o governo porque o presidente Santiago Peña tinha investimentos em uma empresa do grupo de Vázquez. Durante seu mandato, o Ueno Bank recebeu mais de 800 milhões de dólares em depósitos de órgãos do Estado, incluindo recursos da previdência social. Com a quebra do banco e a dificuldade de recuperar o dinheiro público, a pressão política se tornou insustentável. Peña apresentou sua renúncia na quinta-feira e agora responde a um processo de impeachment no Senado. O escândalo também provocou a queda do presidente do Banco Central e gerou protestos em todo o Paraguai.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar