Jornal americano diz que Flávio é alvo de vingança e que Brasil ruma para a autocracia
O jornal americano The Wall Street Journal (WSJ) publicou nesta quarta-feira (28) um editorial em que afirma que o senador Flávio Bolsonaro (PL) é alvo de vingança política no Brasil. O texto, intitulado “No Brasil, a vitória traz consigo a vingança política”, sustenta que, no país, os derrotados em eleições são processados, em referência a Jair e Flávio Bolsonaro.
Segundo o editorial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo e, poucos minutos depois, seu governo determinou que o líder da oposição entregasse o passaporte. O jornal cita que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes autorizou pedido da Polícia Federal para a apreensão dos documentos de viagem de Flávio. O texto relata que o senador deixou o Brasil na terça-feira, atravessando a fronteira com a Argentina acompanhado da esposa e das filhas, e chegou a Miami na quarta-feira. Os Estados Unidos informaram ter concedido vistos à família, o que o WSJ classificou como oferta justificável de proteção política.
O jornal observa que, embora seja alvo de investigações, Flávio não foi formalmente acusado de nenhum crime. O editorial afirma que ele tem bons motivos para acreditar que não terá um julgamento justo e menciona um debate eleitoral na Band, uma semana antes do segundo turno, no qual Lula disse ao adversário que ele perderia a imunidade parlamentar e que seus inquéritos passariam a andar. O WSJ também critica a atuação de Moraes, afirmando que o ministro tem ampliado sua própria jurisdição, e cita a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão em 2025 por acusações de tentativa de golpe de Estado.
O texto afirma ainda que Flávio se junta a um grande número de jornalistas, blogueiros e formadores de opinião brasileiros dissidentes que optaram pelo exílio. O jornal lembra que Lula poderá indicar até quatro novos ministros ao Supremo no seu quarto mandato, além da cadeira vaga deixada por Luís Roberto Barroso, e que serão aposentados compulsoriamente os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. “Caberá ao novo Senado brasileiro defender a integridade e a independência do Judiciário”, aponta o WSJ.
Na conclusão, o editorial escreve que países que transitam da liberdade para a autocracia seguem, via de regra, um caminho semelhante: um demagogo vence nas urnas, apropria-se do Judiciário e encarcera seus opositores. “Onde as instituições são sólidas, o Estado de Direito pode resistir. Não está claro se o Brasil conseguirá”, finaliza o jornal.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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