Janones publica falso direito de resposta sobre Nikolas e engana parlamentares
O deputado federal André Janones (Rede-MG) publicou na noite deste sábado (6) um vídeo em que simula a leitura de um direito de resposta direcionado ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Na gravação, Janones aparece em tom solene, lendo um papel com a mão trêmula, como se estivesse cumprindo uma determinação judicial. A publicação enganou parlamentares e internautas, que comemoraram uma suposta derrota judicial do deputado.
No vídeo, Janones afirma se retratar sobre "informações inveríficas" que teria publicado contra Nikolas, negando que o banqueiro Daniel Vorcaro tivesse contato com o parlamentar e que Nikolas teria solicitado a intervenção do banqueiro em um negócio. A encenação seguiu no domingo (7), quando Janones repercutiu as mensagens em sua própria linha do tempo no X, escrevendo "É bait não. Me ferrei mesmo". O termo "bait" é usado no jargão da internet como "isca" ou "pegadinha".
A farsa foi assumida por Janones por volta das 16h50 de domingo, quando ele mostrou que o suposto pedido de retratação era, na verdade, um conjunto de papéis em branco. "Eu fiz o bolsonarismo de idiota mais uma vez, igual na eleição passada", disse o parlamentar, que afirmou ter usado uma "tática de artes marciais, de usar a força do oponente como uma vantagem". Ele ainda ameaçou: "É só um aperitivo do que eu vou fazer até o dia 4 de outubro".
O caso foi comentado pelo pesquisador Marcelo Träsel, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, PhD em Comunicação Social. Para ele, o episódio é "mais um exemplo da degradação do debate público provocada pelas plataformas digitais", nas quais os algoritmos incentivam práticas que buscam efeito viral. Träsel classificou como "lamentável" que um parlamentar apele à desinformação para obter engajamento durante uma campanha eleitoral.
Janones, que tem nas redes sociais a base de sua militância, demonstrou preocupação com o crescimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em pesquisas e tem defendido que apoiadores do PT travem uma disputa sem limites pela narrativa, definindo a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma causa de "matar ou morrer".
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