Instagram classifica crítica contra declaração de Lula como notícia falsa
O Instagram aplicou um selo de "informação falsa" a uma publicação da influenciadora Mariana Brito que criticava uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a influenciadora, o conteúdo havia alcançado quase 30 milhões de pessoas antes de receber o alerta. A plataforma embaçou o vídeo e atribuiu a verificação à Agência Lupa.
A controvérsia começou após Lula afirmar, durante evento oficial no Pará na última segunda-feira, que mulheres aprenderiam a "tomar toque desde quando é pequena". Na ocasião, o presidente comparava o comportamento de homens e mulheres em relação a exames médicos, ao comentar o anúncio de cirurgias de próstata robotizadas no estado. A fala foi interpretada por opositores e influenciadores como uma normalização de comportamentos abusivos ou inadequados contra crianças.
De acordo com a explicação exibida pela plataforma na aba "Entenda", o veredito da checagem afirma que Lula não defendeu nem normalizou a pedofilia em seu discurso. Como consequência da classificação, o alcance da postagem caiu drasticamente. Mariana Brito classificou o episódio como um ato de censura contra sua opinião pessoal.
Além da influenciadora, o deputado federal Nikolas Ferreira reagiu à fala do presidente afirmando que crianças não aprendem a "tomar toque". Ele baseou o argumento em diretrizes médicas, citando que exames ginecológicos internos não fazem parte da rotina de meninas pequenas, que o rastreamento do câncer de colo do útero é indicado apenas para adultas e que o Colégio Americano de Ginecologistas recomenda que a primeira consulta de adolescentes não inclua exames invasivos.
A repercussão chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio de uma representação da coligação que apoia Lula. A ministra Estela Aranha determinou, em decisão liminar, que Nikolas Ferreira removesse postagens sobre o tema em até 24 horas, alegando propaganda eleitoral negativa e descontextualização. Em resposta, durante um comício em Salvador, Lula chamou o deputado de "canalha" e admitiu que pode ter usado uma "frase errada", afirmando que sua intenção era exaltar a coragem das mulheres em cuidar da própria saúde.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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