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Igreja Católica defende limites éticos no uso da inteligência artificial

Por Ivan Marra
Atualizado em 12/09/2026 às 08:05 schedule 3 min de leitura visibility 29 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O arcebispo Gabriele Caccia, núncio apostólico nos Estados Unidos, defendeu a necessidade de uma voz moral no desenvolvimento da inteligência artificial durante um painel na Universidade de Georgetown, em 9 de setembro. Com base na encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, o religioso alertou que a tecnologia deve servir ao bem comum e que decisões vitais não podem ser delegadas a máquinas.

Segundo Caccia, decisões que envolvem a vida e a morte são dilemas morais que exigem consciência e responsabilidade pessoal, qualidades exclusivas dos seres humanos. A Igreja rejeita a ideia de agentes morais artificiais: uma máquina opera por cálculos e algoritmos, enquanto o julgamento ético pressupõe reconhecer o outro como pessoa. Delegar decisões irreversíveis ou letais a sistemas automáticos eliminaria a responsabilidade humana, criando um cenário em que ninguém responderia pelas consequências.

A encíclica Magnifica Humanitas é apresentada como um guia de orientação moral diante do avanço tecnológico. O documento não prescreve leis políticas detalhadas, mas propõe um diálogo entre a Igreja e o mundo, incluindo cientistas e engenheiros. O objetivo central é garantir que a inteligência artificial seja cultivada para promover o bem comum e a inclusão, em vez de ser motivada apenas pelo lucro ou por interesses que gerem sofrimento.

O núncio também manifestou preocupação com o uso de algoritmos em decisões que afetam a dignidade social. Ele citou relatos de sistemas automatizados que, baseados em dados com preconceitos ou injustiças, acabam bloqueando o acesso de pessoas a cuidados de saúde, oportunidades de emprego e segurança. Para Caccia, essas ferramentas podem silenciar quem já não tem voz na sociedade e criar novas formas de exclusão. A Igreja sustenta que nem tudo o que a tecnologia permite fazer deve ser aceito, cabendo à sociedade escolher o que é eticamente correto.

As orientações da Igreja encontraram eco dentro da própria indústria de tecnologia. A jornalista Jasmine Sun relatou que profissionais do Vale do Silício demonstraram engajamento inesperado com a encíclica papal, em meio à percepção crescente de que o lucro, motor principal das empresas do setor, não é suficiente para guiar o desenvolvimento da inteligência artificial. A busca por sabedoria e liderança moral ganha força quando os próprios criadores reconhecem que a tecnologia precisa de um propósito voltado ao valor do relacionamento humano.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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