Ideb do ensino médio avança pouco e não bate meta, mesmo com ‘truque’ de redes estaduais para inflar índice; veja exemplos
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgado nesta quarta-feira (5), mostrou avanço em todas as etapas escolares na comparação com a edição anterior. No ensino médio, porém, o crescimento foi tímido e insuficiente para alcançar a meta estipulada para o período, o que acende um alerta sobre a qualidade da aprendizagem na etapa final da educação básica.
O resultado expõe uma prática adotada por algumas redes estaduais para melhorar artificialmente o desempenho no indicador. Em vez de elevar a proficiência dos alunos, essas redes passaram a aplicar estratégias administrativas que inflam o índice sem refletir, necessariamente, uma melhora real no aprendizado. Entre os expedientes identificados estão a exclusão de estudantes com baixo desempenho das avaliações e a reorganização de turmas para concentrar alunos com melhor rendimento nas provas.
Especialistas ouvidos na apuração apontam que o chamado "truque" distorce a leitura dos dados e compromete a comparabilidade do Ideb entre estados e municípios. A prática, embora não configure ilegalidade, fragiliza o uso do indicador como ferramenta de diagnóstico da educação pública. As redes estaduais não detalharam os critérios adotados para a composição das turmas avaliadas, e o Ministério da Educação não se manifestou sobre os casos específicos até a publicação desta reportagem.
O Ideb é calculado a partir de dois componentes: o fluxo escolar, medido pela taxa de aprovação, e o desempenho médio dos alunos no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A combinação permite que mudanças na política de enturmação ou na gestão do registro escolar influenciem o resultado final sem que haja ganho pedagógico equivalente.
Os dados completos por estado e município estão disponíveis no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A divulgação do Ideb 2025 ocorre em um momento em que o país discute os rumos do novo ensino médio, reformulado por lei sancionada em 2024, e a recomposição das aprendizagens após o período de pandemia.
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