Ian Bremmer: 'Se Lula não agir rápido na economia, o mercado vai castigá-lo duramente'
O cientista político Ian Bremmer, fundador e presidente do Eurasia Group, afirmou que o mercado deve punir com severidade o governo de Luiz Inácio Lula da Silva caso o presidente eleito não aja rapidamente na economia. Em entrevista à BBC News Brasil feita horas após o resultado do segundo turno, ele avaliou que os juros subiram e que o serviço da dívida ficará mais pesado, em razão das promessas de gasto fiscal feitas durante a campanha, que considera insustentáveis.
Bremmer apontou ainda que Lula terá de lidar com um Congresso de maioria de direita, que não deve se alinhar aos seus esforços de legislar, inclusive na área de tributação. Segundo ele, a estratégia de crescer a economia para que a classe trabalhadora não pague pelos erros de governos anteriores é insuficiente como caminho isolado e precisa funcionar em harmonia com outras medidas.
Sobre a contestação inicial do resultado por Flávio Bolsonaro, que chegou a pedir a anulação da eleição antes de recuar, o analista foi direto: classificou a postura como “patética” e “o oposto de liderança”. Ele reconheceu que houve irregularidades, mas afirmou que os fatos mostram que Lula venceu por 4 milhões de votos e que o número de votos afetados por mudanças de horário determinadas pela Justiça foi de dezenas de milhares, o que não considera relevante para questionar o resultado.
O fundador do Eurasia Group disse ter ficado surpreso, mas não chocado, com a virada de Lula. Na avaliação dele, os eleitores da classe trabalhadora temeram perder benefícios sociais com Flávio, e o custo de vida pesou mais do que a segurança. Ele também creditou à campanha de Lula eficiência nas redes sociais, especialmente no Instagram e no Facebook.
Bremmer mencionou que o Supremo Tribunal Federal, envolvido na crise do escândalo do banqueiro Daniel Vorcaro, é um problema que Lula terá de enfrentar de frente, sob risco de dano severo à democracia brasileira. Sobre a idade do presidente, que completa 81 anos, afirmou que não acha que um homem dessa idade deveria estar dirigindo um país tão importante quanto o Brasil. Em relação à expectativa de que a vitória seja um símbolo global contra a direita, mostrou ceticismo: “Uma eleição não muda uma tendência”.
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