Governo Lula prevê que dívida bruta do Brasil atingirá 90% do PIB até 2030
O governo federal oficializou a estimativa de que a dívida pública brasileira pode alcançar 90% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. A projeção consta no Orçamento de 2027 e no Anexo de Riscos Fiscais enviados ao Congresso Nacional. O cenário indica pressão crescente sobre as contas públicas, partindo de um endividamento que estava em 71,7% do PIB no fim de 2022.
O documento trabalha com diferentes trajetórias para a dívida. No cenário principal, a marca de 90% do PIB seria atingida entre 2029 e 2030. Em uma versão mais otimista, o teto seria de 88,4% em 2028, com queda a partir de então. Caso as receitas fiquem abaixo do esperado, os 90% podem ser ultrapassados já em 2029, chegando a 91,1% em 2031. Há ainda um cenário extremo, com juros altos e retração da economia, no qual a dívida poderia alcançar 117% do PIB até 2036.
O mercado financeiro projeta deterioração mais rápida. Enquanto o governo aponta 90% do PIB por volta de 2030, o boletim Focus, que reúne expectativas de bancos e analistas, estima que essa marca será atingida já em 2027. No início de 2026, a previsão do mercado era de que isso ocorreria apenas em 2029 — uma antecipação de dois anos que sinaliza perda de confiança na estabilidade fiscal.
Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), três fatores dificultam o controle da dívida: o alto custo de captação, com juros que sobem mais rápido que o crescimento econômico; um ciclo em que os próprios juros geram mais dívida e exigem novos empréstimos; e o fato de quase metade da dívida federal estar atrelada à Selic, de modo que qualquer elevação da taxa básica encarece imediatamente o que o governo deve.
Há divergência entre as projeções oficiais e as dos órgãos de fiscalização. O governo projetou crescimento de 2,5% para 2027, enquanto a IFI e o mercado estimam entre 1,5% e 1,8%. O Executivo também espera resultado positivo nas contas, mas considera manobras legais que excluem gastos como precatórios e investimentos. Sem esses descontos, a IFI calcula déficit real de R$ 86,1 bilhões. Para cumprir a lei e não gastar mais do que arrecada, o governo precisaria contingenciar cerca de R$ 35,7 bilhões em despesas sobre as quais ainda tem discricionariedade.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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