'Ganho duas vezes mais com games do que ganhava como professora'
A ex-professora britânica Jarvs Tasker, de 28 anos, deixou o magistério em 2019 por causa de uma doença crônica. Sete anos depois, ela afirma ganhar o dobro do antigo salário à frente da Jarvs Indie Insights, empresa de comunicação e marketing na indústria de videogames.
"Posso dizer com segurança que eu provavelmente levaria cerca de 20 anos no magistério para receber o que ganho hoje", declarou Tasker. Segundo ela, as habilidades das duas áreas se cruzam: "Administrar uma comunidade é muito parecido com gerenciar uma classe de crianças. Por isso, existem muitas habilidades coincidentes."
Quando deixou de lecionar, Tasker passou inicialmente a atuar como voluntária no canal do PlayStation no YouTube. Moradora de Exeter, no sudoeste da Inglaterra, ela avalia que os jovens podem não conhecer os "diversos caminhos" existentes no setor. "A comunidade de videogames é muito forte e irá recompensar as pessoas que amam o que fazem, mas eles também irão perceber se você estiver ali apenas pelo dinheiro", disse. "A paixão é o mais importante."
Na quarta-feira passada (23/9), Tasker visitou as instalações de e-sports da Universidade de Suffolk, em Ipswich, no Reino Unido, em um evento da organização Game Anglia voltado a estúdios e desenvolvedores independentes. Mark Backler, da Game Anglia, afirmou que o setor já é uma das maiores indústrias do Reino Unido e que "nunca foi tão viável desenvolver e publicar seus próprios jogos independentes".
O desenvolvedor Sam Read-Graves, da empresa Read Graves, disse que a indústria de games "cresceu massivamente nos últimos 10 anos" no leste da Inglaterra. Abbygale Dunn, de 22 anos, fundadora da Astral Forge, afirmou que há "muito espaço para as mulheres" no setor, embora tenha lembrado que, quando era estudante, havia apenas cerca de três mulheres em sua sala. Para o observador de games Omar Khalil, da Entity, "não há falta de talentos no Reino Unido", mas obter visibilidade para os jogos é o maior desafio.
Sobre os impactos da inteligência artificial, Tasker afirmou acreditar que o setor está fazendo "um trabalho muito bom" ao rejeitá-la, pois os jogadores a odeiam. "Acho que é um setor que deve realmente nos orgulhar por ainda estarmos valorizando a criatividade humana e porque o público também apoia nossa decisão", defendeu. Backler destacou que é difícil dizer como a IA mudaria as coisas, mas que muitos jogadores foram contrários ao seu uso.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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