Flávio pede ao TSE para derrubar canal de fake news pró-Lula criado por Janones
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do canal de WhatsApp comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), usado para propaganda pró-Lula. Com 3,2 milhões de inscritos, o espaço batizado de “Exército do Lula” mobiliza apoiadores da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A ofensiva pede a exclusão do canal em duas horas e o banimento de seu administrador até o encerramento do segundo turno. Os advogados da campanha sustentam que a Meta descumpre compromissos apresentados à Justiça Eleitoral ao permitir o funcionamento de uma estrutura que, na avaliação da campanha, distribui desinformação em massa. Na ação, que também mira Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e Janones, Flávio pede ainda a cassação do registro ou diploma da chapa governista e a inelegibilidade dos responsáveis. A acusação afirma que o deputado distribui “missões” de compartilhamento e teria empregado recursos públicos de campanha para impulsionar propaganda negativa.
Entre os conteúdos questionados, a campanha cita alegações de que Flávio retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, teria envolvimento com milícias e reduziria aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A petição sustenta que o canal estimula a repetição de afirmações já consideradas falsas pelo tribunal.
O esforço para interromper a circulação dos ataques já resultou em uma decisão contra um vídeo de Janones e do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Na quinta-feira (8), o ministro André Mendonça, do TSE, determinou a remoção da gravação, que atribuía a Flávio propostas como aposentadoria aos 70 anos para homens e aos 65 para mulheres, além de jornada diária de 12 horas sem folga semanal. Mendonça avaliou que as afirmações não tinham respaldo no programa de governo ou nas declarações do candidato. O vídeo havia alcançado 6,8 milhões de visualizações. A ordem fixou prazo de três horas para retirada e multa diária de R$ 10 mil, mas tratou daquele conteúdo específico, sem determinar o encerramento do canal de WhatsApp.
No processo que busca suspender a estrutura digital, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, cobrou esclarecimentos neste sábado (10). Deu 72 horas para Flávio individualizar irregularidades e informar se existem pedidos semelhantes em outras ações, além de cinco dias para apresentar os arquivos digitais mencionados na petição. Cueva autorizou o processamento da investigação e determinou que os investigados apresentem defesa em cinco dias, ressaltando que receber a ação não representa reconhecer a veracidade das acusações. A análise das medidas urgentes ficou condicionada aos esclarecimentos, e a decisão não ordenou a suspensão do “Exército do Lula”.
O canal existia desde abril, com cerca de 50 mil seguidores, antes de ser convertido em frente de campanha após o primeiro turno. Janones reagiu classificando a iniciativa judicial como tentativa de censura e atribuiu a ofensiva ao receio da direita de perder espaço digital. Em transmissão no sábado (9), defendeu a continuidade da mobilização e afirmou ter se reunido com a equipe de Lula, anunciando a previsão de novos vídeos do presidente para o canal.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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