Flávio Bolsonaro usa exemplos históricos para justificar sua saída do Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira (28), nos Estados Unidos, uma carta em que explica sua saída do Brasil e defende sua atuação política no exterior. Após deixar o território brasileiro em meio a determinações do Supremo Tribunal Federal (STF), o parlamentar afirmou que pretende liderar a oposição a partir de solo americano e comparou sua situação à de figuras históricas que, segundo ele, enfrentaram perseguições.
Na carta divulgada após sua chegada aos Estados Unidos, o senador mencionou o jurista brasileiro Rui Barbosa, que se opôs ao governo de Floriano Peixoto no início da República e buscou asilo no exterior. Também citou o general francês Charles de Gaulle, que liderou a resistência contra os nazistas a partir de Londres durante a Segunda Guerra Mundial, e o revolucionário cubano José Martí, que articulou a independência de seu país enquanto vivia em Nova York. De acordo com Flávio, esses exemplos demonstram que é possível lutar pela própria nação mesmo estando longe do território nacional.
O senador também destacou nomes da oposição venezuelana ao chavismo para reforçar seu argumento de resistência no exterior: Juan Guaidó, Edmundo González Urrutia e María Corina Machado. Ele lembrou que Guaidó se declarou presidente interino contra Nicolás Maduro e acabou se mudando para os Estados Unidos. Citou ainda González, que disputou a eleição de 2024 e recebeu asilo na Espanha após ter a prisão decretada, e María Corina, vencedora do Nobel da Paz de 2025. Segundo o senador, todos esses líderes foram tratados como criminosos por seus regimes, mas a história lhes deu um veredito diferente.
A partida de Flávio Bolsonaro ocorreu logo após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a entrega de seus passaportes. A ordem judicial foi expedida dias depois do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), em que o senador disputava o cargo contra o atual presidente Lula. Antes de desembarcar nos Estados Unidos com sua família, o parlamentar passou por outros países da América do Sul, como Argentina e Equador, alegando que sua saída foi necessária diante do que classificou como perseguição.
No documento, o senador declarou que não abandonou os brasileiros e que pretende ser a "voz e a liderança livre" da nação a partir do exterior. Afirmou que a luta política não se encerrou com o resultado das urnas e que seu objetivo é liderar a oposição brasileira fora do alcance das autoridades que o investigam. Flávio ressaltou que sua missão só terminará quando considerar que o Brasil voltou a ser um país livre, mantendo suas atividades políticas ativas e mobilizando apoiadores mesmo estando fisicamente fora do país.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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