Flávio Bolsonaro diz ao NY Times que 'vai levar para o túmulo' como saiu do Brasil; jornal aponta ajuda dos EUA
Em sua primeira entrevista desde que deixou o Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ao jornal americano The New York Times que organizou sozinho sua saída para os Estados Unidos e que não recebeu ajuda de nenhum governo. Questionado sobre como conseguiu chegar a Miami, respondeu: "Como cheguei aqui vou levar isso para o túmulo comigo". A reportagem foi publicada nesta quinta-feira (5/11).
A declaração contrasta com informações obtidas pelo próprio jornal junto a autoridades americanas. Segundo elas, um funcionário da Casa Branca organizou o jatinho que transportou o senador até Miami, e sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump. Flávio deixou o país na semana passada e aterrissou em solo americano em 28 de outubro, três dias após o segundo turno. O trajeto incluiu passagens pelo Equador e pela Argentina — neste último, um dos principais assessores do presidente Javier Milei o encontrou em um aeroporto, aponta a reportagem.
Na entrevista de 75 minutos, o senador negou ter recebido assistência oficial. "Foi tudo por minha conta", disse. "Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo." Segundo seu relato, a decisão de partir foi tomada espontaneamente, em conversa com a mulher, na manhã seguinte à derrota na eleição presidencial, depois de concluir que poderia enfrentar o mesmo destino do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Flávio contou que deixava o condomínio onde o pai cumpre prisão domiciliar quando teria sido informado de que deveria entregar seus passaportes em 24 horas. Horas depois, publicou um vídeo dizendo que entregaria os documentos e que nunca havia pensado em deixar o Brasil. Cerca de 40 horas mais tarde, apareceu em Miami.
Ao jornal, afirmou que preferiu sair do país a correr o risco de ser preso. "Já sei que o desfecho final será minha prisão", declarou, ao acusar o Judiciário brasileiro de agir com excesso de rigor e motivação política. O senador é alvo de duas investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) — uma sob relatoria do ministro André Mendonça e outra sob a de Alexandre de Moraes — que apuram suspeitas de irregularidades financeiras e lavagem de dinheiro. Uma delas envolve possíveis irregularidades no repasse de quase 70 milhões de dólares do Banco Master para o filme Dark Horse, sobre a trajetória política de seu pai. A outra apura suspeitas de lavagem de dinheiro em operações envolvendo o advogado Willer Tomaz, empresas de pagamento e o setor de apostas no Rio de Janeiro. Flávio nega irregularidades e não foi formalmente acusado de nenhum crime.
Na entrevista, o senador voltou a questionar o resultado da eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,79% dos votos válidos, e disse que a vitória do petista seria "matematicamente impossível", sem apresentar provas. Também criticou a prorrogação do horário de votação — mudança que, segundo a BBC News Brasil, havia sido solicitada pelos dois candidatos e afetou cerca de 34 mil votos, número insuficiente para alterar o resultado. O TSE rejeitou as acusações de fraude, e observadores internacionais avaliaram que a votação e a apuração transcorreram com normalidade. Mesmo nos Estados Unidos, Flávio disse que pretende continuar atuando na política brasileira e contestar judicialmente a vitória de Lula, embora reconheça que as chances de sucesso são pequenas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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