Fim da escala 6x1 é fruto de luta dos trabalhadores, não do governo, diz sociólogo
O sociólogo Ricardo Antunes, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), avalia que a aprovação do fim da escala 6x1 é uma conquista da classe trabalhadora brasileira e não uma iniciativa original do governo. Para ele, a mobilização nasceu da luta concreta do que chama de "novo proletariado de serviços", formado por trabalhadores que atuam em condições precarizadas após a expansão da privatização do setor.
A proposta foi aprovada no Senado em dois turnos na quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada votação. O único voto negativo foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Segundo Antunes, a pauta não partiu do governo Lula, mas de um jovem trabalhador do setor de serviços, das farmácias, que usou as redes sociais para relatar uma jornada exaustiva, sem descanso. O ponto de partida da mobilização nacional foi um desabafo publicado no TikTok em setembro de 2023 pelo então balconista de farmácia Rick Azevedo (PSOL), recém-eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, que criticou a falta de tempo para família, estudos, descanso e lazer com apenas um dia de folga semanal. O vídeo viralizou e gerou uma petição online que ultrapassou 3 milhões de assinaturas, além do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
Em Brasília, o tema ganhou tração em novembro de 2024, quando a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) assumiu a articulação política e transformou a ideia em Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O texto inicial previa jornada semanal de 36 horas, sem redução salarial, mas a proposta aprovada estabelece redução das atuais 44 para 40 horas semanais, também sem redução de salário. A medida enfrentou oposição do setor de comércio e serviços, cujos representantes alegam possíveis custos trabalhistas e impactos à economia. Levantamento da Quaest aponta apoio de 71% dos brasileiros à mudança.
Antunes lembra que o governo Lula demorou a assumir a bandeira do fim da jornada e avalia que o cenário eleitoral acelerou essa adesão. Em pronunciamento no 1º de Maio de 2025, Lula sinalizou apoio à redução da jornada. Para o sociólogo, a votação expressiva da PEC deve representar ganho eleitoral para o presidente, que, segundo ele, tem agora o momento para adotar medidas mais ousadas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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