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Extrativismo na América Latina: Igreja defende diálogo com comunidades afetadas

Atualizado em 11/09/2026 às 21:20 schedule 3 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O bispo agostiniano Dom Manuel Ochogavía Barahona, da diocese de Colón-Kunayala, no Panamá, e membro da Rede Igrejas e Mineração, defendeu que o diálogo sobre os processos extrativistas na América Latina inclua, em condições de igualdade, todos os atores envolvidos — comunidades, Estados, empresas e organizações sociais. A declaração foi feita durante o IV Encontro Sinodal Fratelli Tutti, promovido no âmbito da iniciativa de mesmo nome para tratar dos desafios sociais e ambientais da região.

Segundo o bispo, não pode existir um diálogo verdadeiramente inclusivo se as vítimas do extrativismo ficarem fora da mesa. Ele afirma que a presença das comunidades afetadas é fundamental para compreender as consequências que essas atividades provocam sobre as pessoas e os territórios. Ochogavía Barahona ressalta que o problema não se limita à mineração: abrange também a exploração da madeira, dos recursos hídricos e dos recursos pesqueiros.

O encontro foi organizado pela Comissão Pontifícia para a América Latina e pelo Celam. Esses encontros são realizados desde 2022 e reúnem representantes de sindicatos, empresas, organismos internacionais, universidades e organizações eclesiais, com o objetivo de avançar, a partir da escuta e do discernimento, rumo a ações concretas. O bispo menciona as redes de ecologia integral presentes na América Latina — entre elas as redes pan-americana, mesoamericana, amazônica e do Grande Chaco —, que surgiram ou se fortaleceram sob o impulso do magistério do Papa Francisco e de seus ensinamentos sobre o cuidado da casa comum.

Ochogavía Barahona sustenta que o diálogo deve ser inclusivo e desenvolvido a partir da equidade, com a participação efetiva daqueles que sofrem as consequências de determinadas atividades econômicas. Ele considera que a aproximação entre os diferentes atores já constitui um primeiro passo, mas evita fazer previsões sobre até onde esses processos poderão chegar. Para o bispo, assumir responsabilidades compartilhadas exige uma conversão que não seja apenas pastoral, mas que alcance todos os agentes presentes nos territórios.

Ele também defende o papel dos Estados, advertindo para o risco de que empresas extrativistas ocupem espaços que correspondem às instituições públicas dentro das comunidades, o que, em sua avaliação, pode colocar em risco a soberania dos Estados e enfraquecer sua responsabilidade na defesa dos direitos humanos e ambientais. Nessa linha, afirma que o direito das comunidades de discordar deve ser respeitado: se uma população não quer um projeto extrativista em seu território, essa decisão deve ser protegida. O bispo alerta ainda para situações de perseguição contra aqueles que se opõem a determinadas orientações oficiais ou projetos, fenômeno que, segundo denuncia, gera dor e tristeza em diferentes lugares da América Latina.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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