Eleitor vai às urnas com espírito de mudança e foco inédito no Senado
O Brasil define neste domingo (4) os 54 eleitos ao Senado, em uma disputa que ganhou peso inédito na campanha. A prerrogativa constitucional da Casa de avalizar ou rejeitar indicados pelo presidente da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) e de abrir processos de impeachment contra ministros da Corte colocou o Senado no centro do debate eleitoral.
O cientista político Elias Tavares lembra que a direita saiu à frente ao tratar o Senado como prioridade estratégica há quatro anos, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentava a reeleição, movimento ampliado neste ano devido à crise no STF. "O ano de 2018 inaugurou um ciclo, mas foi em 2022 que a direita se consolidou e percebeu que não basta conquistar o Executivo, que é preciso também construir um poder institucional dentro do Congresso", avalia. Hoje, a bancada do PL é a maior do Senado, com 15 parlamentares.
Para Juliana Fratini, doutora em Ciência Política, o eleitorado passou a perceber a relevância da Casa quando as prerrogativas ligadas ao STF ganharam força no debate público. "O que chama a atenção do público e do eleitor é a participação importante que um senador tem para a abertura de impeachment de ministros do Supremo. O cidadão começou a entender que o Senado é importante na estratégia geral", pontua. Ela lembra que a referência anterior do brasileiro sobre impeachment vinha dos processos que cassaram os mandatos dos ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff.
Como o mandato de senador é de oito anos, os eleitos neste domingo passam a compor a nova configuração da Casa ao lado do grupo eleito em 2022. Tavares projeta que uma configuração mais à direita deve tentar impor freios ao Supremo e colocar em xeque a liderança do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem barrado a votação de processos contra ministros da Corte. A eleição pela presidência da Casa está marcada para fevereiro, no início da nova legislatura.
O escândalo do Banco Master também arrastou o Senado para o epicentro da crise. Fratini observa que candidatos à reeleição foram alvos das operações Compliance Zero e que Alcolumbre passou a ser questionado após a divulgação de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em nota, o presidente do Senado classifica as informações como "sensacionalismo barato, movido por interesses ilegítimos" e afirma que não há ilegalidades nas mensagens de teor pessoal. "Como é que a Casa vai abrir impeachment contra um ministro do Supremo ao mesmo tempo em que tem senadores também envolvidos?", questiona a cientista política.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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