Economista-chefe do BTG cobra plano fiscal de Lula para recuperar confiança do mercado
O economista-chefe e sócio do BTG Pactual, Mansueto Almeida, defende que o governo apresente um plano fiscal capaz de recuperar a confiança do mercado financeiro antes de 2027. Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (29), o ex-secretário do Tesouro Nacional afirmou que a sinalização de medidas para conter o crescimento das despesas públicas pode melhorar as expectativas dos investidores e abrir espaço para a queda do dólar e dos juros e para a valorização da Bolsa.
Segundo Mansueto, a estratégia precisa ter respaldo do presidente da República, dos ministros e da articulação política no Congresso Nacional. "Quando o plano fiscal for divulgado e com apoio político, enfim, de toda a política do governo, dos ministros do governo, do próprio presidente da República, isso vai ser a sinalização muito forte que pode já ocasionar uma melhora do mercado", afirmou. Ele acrescentou que os investidores acompanharão não apenas o anúncio das medidas, mas também a capacidade do governo de colocá-las em prática.
Na avaliação do economista, o país não deveria começar 2027 sem uma equipe econômica definida e sem clareza sobre as medidas que pretende adotar. Ele também comentou o perfil adequado para comandar o Ministério da Fazenda: alguém com boa interlocução com o Congresso e apoio integral do presidente e dos demais integrantes do governo. "Não é corte de despesa, é controlar o crescimento da despesa para possibilitar que a inflação caia e que a gente tenha juros menores", explicou.
Mansueto defendeu o fortalecimento do atual arcabouço fiscal e criticou a ampliação de gastos à margem das regras estabelecidas. Conforme os números que apresentou, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou aproximadamente 11% nos últimos quatro anos, enquanto as despesas federais cresceram cerca de 22% no mesmo período — ritmo duas vezes superior ao da economia. Cerca de 90% das despesas federais são obrigatórias, o que limita a margem de manobra do governo.
O economista também considerou pouco desejável que o ajuste fiscal dependa de novos aumentos de impostos, diante da elevada carga tributária brasileira. Secretário do Tesouro Nacional entre 2018 e 2020, durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, Mansueto participou da formulação e da execução da política fiscal federal. Atualmente, além de economista-chefe, é sócio do BTG Pactual.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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