María Corina confronta Delcy após promessa de eleições: “O sistema de repressão segue no poder”
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira (29) que o aparato de repressão do chavismo continua em funcionamento na Venezuela, apesar das reformas prometidas pela líder interina Delcy Rodríguez. A declaração foi feita em sua primeira entrevista coletiva desde o retorno ao país, realizada na Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas, poucas horas depois de Delcy anunciar novas eleições, mudanças no sistema judicial e garantias contra prisões arbitrárias.
"O sistema de repressão que obrigou milhares de venezuelanos a se esconder, que sequestrou milhares de cidadãos, que torturou e assassinou, segue no poder", afirmou María Corina. A dirigente reconheceu que houve mudanças desde a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro, mas alertou que integrantes do regime chavista ainda controlam instituições e mantêm capacidade de retaliar contra opositores. Para ela, o desmonte dessa estrutura e a libertação dos presos políticos devem ser prioridades da transição democrática.
María Corina também questionou a capacidade de Delcy de conduzir as reformas anunciadas, lembrando que a atual líder ocupou diversos cargos durante os regimes de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. "A senhora Delcy Rodríguez diz que vai reconstruir as instituições, a Justiça, a confiança, a harmonia, a paz. É sério?", indagou. Segundo a opositora, os responsáveis pelos abusos cometidos nas últimas décadas não podem conduzir as mudanças sem prestar contas à população.
No pronunciamento à nação, Delcy afirmou que a Venezuela realizará eleições organizadas por um Conselho Nacional Eleitoral renovado e com fiscalização internacional, mas não estabeleceu data para a votação. María Corina disse estar convencida de que as eleições presidenciais ocorrerão em 2027, conforme a proposta de transição apresentada pelo governo americano após a captura de Maduro, e mencionou o plano de três etapas defendido pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. A opositora pediu ainda a renovação do Tribunal Supremo de Justiça, a libertação de todos os presos políticos e a criação de uma comissão da verdade para investigar abusos do regime chavista.
Durante a entrevista, María Corina afirmou não ter recebido convite de Delcy nem do governo americano para participar de conversas, mas disse apoiar as negociações em curso entre o regime chavista e representantes da Assembleia Nacional eleita em 2015. Ela agradeceu ao presidente Donald Trump e a Rubio pela operação militar de 3 de janeiro, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A líder opositora retornou ao país no domingo (25), após cerca de dez meses no exterior, e afirmou que pretende percorrer o território venezuelano nas próximas semanas para reorganizar os movimentos de oposição e ampliar o registro de venezuelanos no exterior aptos a votar.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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