Última Hora
• Há 18 anos: Furacão Ike • Sul-coreanas mudam de ideia sobre ter filhos e fertilidade volta a crescer no país • Lula ensaia “largar a mão” de Moraes, mas teme consequências • Presidente do STF intima Polícia Federal a prestar informações sobre o celular de Vorcaro • Do cheque especial aos negócios bilionários: como Flávio Augusto chegou ao topo • Eros Grau: do elogio ao ex-aluno Alexandre de Moraes à crítica aos excessos do STF • Fachin decide ser relator de caso Moraes-Vorcaro, e retira também de Mendonça processos ligados ao Master e ao escândalo do INSS • Por que alguns chefões do Vale do Silício rejeitam previsão de que IA pode extinguir a humanidade • Há 18 anos: Furacão Ike • Sul-coreanas mudam de ideia sobre ter filhos e fertilidade volta a crescer no país • Lula ensaia “largar a mão” de Moraes, mas teme consequências • Presidente do STF intima Polícia Federal a prestar informações sobre o celular de Vorcaro • Do cheque especial aos negócios bilionários: como Flávio Augusto chegou ao topo • Eros Grau: do elogio ao ex-aluno Alexandre de Moraes à crítica aos excessos do STF • Fachin decide ser relator de caso Moraes-Vorcaro, e retira também de Mendonça processos ligados ao Master e ao escândalo do INSS • Por que alguns chefões do Vale do Silício rejeitam previsão de que IA pode extinguir a humanidade
Ver Todas

Do cheque especial aos negócios bilionários: como Flávio Augusto chegou ao topo

Atualizado em 13/09/2026 às 07:05 schedule 5 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
mail

O empresário Flávio Augusto, fundador da escola de inglês Wise Up e do grupo educacional Wiser, construiu uma trajetória que começou longe do sucesso. Hoje com 54 anos, ele é um dos empresários brasileiros mais conhecidos, mas antes das grandes transações havia um jovem de classe média baixa que atravessava o Rio de Janeiro de ônibus para vender cursos de inglês, usando telefones públicos para prospectar clientes.

A busca por estabilidade marcou o início de sua vida profissional. Aos 13 anos, começou a se preparar para o Colégio Naval, caminho que poderia levá-lo à carreira militar. Entrou, permaneceu dois anos e acabou expulso. Em entrevista à Forbes Brasil, resumiu o período dizendo que era "indisciplinado, inquieto, insubordinado". De volta à escola pública, ingressou em Ciência da Computação na Universidade Federal Fluminense, mas a faculdade ficou pelo caminho. As vendas, inicialmente temporárias, ocuparam o centro de sua vida profissional. No setor de idiomas, chegou à diretoria comercial aos 23 anos, mas decidiu abandonar a posição e apostar no próprio negócio.

Em 1995, Flávio Augusto e a esposa recorreram a R$ 20 mil do cheque especial, com juros que chegavam a 12% ao mês, para montar a primeira escola da Wise Up. O dinheiro mal cobria reforma, aluguel e a contratação da equipe inicial. Havia ainda um detalhe: o fundador de uma escola de inglês não falava inglês. Sua especialidade estava nas vendas e na leitura de mercado, enquanto a parte acadêmica ficou a cargo de profissionais contratados. A aposta tinha uma tese: com a abertura da economia e a chegada de multinacionais, ele enxergou um público que precisava se comunicar em inglês para avançar profissionalmente e não queria esperar cinco ou sete anos. Propôs, então, um programa de 18 meses, rompendo com o padrão do setor. O próprio Flávio trata o caso com ressalva. Em entrevista à Folha de S. Paulo, em 2014, respondeu que não aconselharia ninguém a repetir a estratégia: "Tecnicamente é desaconselhável."

No primeiro ano, a unidade chegou a mil alunos. Oito meses depois, abriu uma filial na Avenida Paulista. Em três anos, a operação somava 24 escolas próprias e mais de mil funcionários. O modelo de franquias veio em 2000 e a rede alcançou 396 unidades antes de ser vendida. Em 2013, a Wise Up foi vendida para a Abril Educação por R$ 877 milhões. Dois anos depois, Flávio recomprou a companhia por cerca de R$ 390 milhões. Segundo contou à Forbes, a empresa estava menor, o EBITDA havia caído e a inadimplência chegara a 42% após uma mudança da cobrança por cartão para boleto. Nos dois primeiros meses, afirmou ter aportado US$ 16 milhões para reerguer o negócio. Foram, segundo ele, três anos de trabalho para voltar a deixar a operação saudável.

A expansão não eliminou os tropeços. Em 2008, já com patrimônio acumulado, sofreu uma perda financeira fora da Wise Up: mantinha uma posição alavancada na Bolsa de Valores e perdeu cerca de R$ 12 milhões durante a crise financeira, de um patrimônio que então estimava em R$ 15 milhões. Morando nos Estados Unidos, começou a acompanhar o filho nos treinos de futebol e enxergou uma oportunidade onde não havia planejado investir. Em poucos meses, adquiriu o Orlando City, clube da Flórida que posteriormente passou a disputar a Major League Soccer (MLS). Em 2021, o clube foi vendido à família Wilf por uma quantia estimada pelo mercado entre US$ 400 milhões e US$ 450 milhões.

Outro teste veio com a pandemia. A Wise Up tinha cerca de 400 escolas quando as restrições atingiram o ensino presencial. A companhia precisou acelerar uma transformação iniciada pouco antes, com uma plataforma online lançada em 2019. Flávio recomendou a franqueados a devolução de imóveis e a migração para o digital quando ficou claro que a crise seria longa. Das cerca de 400 escolas, cem foram desativadas e parte das demais se converteu em franquias online. A base de alunos, segundo ele, saiu de aproximadamente 80 mil no início da pandemia para 400 mil depois da mudança. A Wise Up passou a integrar a Wiser, grupo de educação que reúne diferentes marcas. Em janeiro de 2026, segundo números apresentados pela companhia ao Brazil Journal, a Wiser tinha mais de 500 mil alunos, faturamento de R$ 610 milhões e EBITDA de R$ 220 milhões.

Aos 54 anos, Flávio Augusto ainda busca novos negócios. À Forbes, em 2019, dizia que pretendia encerrar a carreira empresarial ao completar 50 anos e dedicar-se a projetos sociais. Chegou aos 50 e continuou. Em 2026, voltou a falar em "última jornada". A nova aposta é uma liga de negócios criada para aproximar empresários em grupos de mentoria e relacionamento. Em maio, o projeto somava 10,3 mil clientes ativos. Hoje, trata o trabalho como diversão. O rapaz que cruzava o Rio de ônibus querendo mudar de vida conquistou há muito tempo a possibilidade de parar. Até agora, escolheu continuar construindo.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

Leia a seguir Esportes Há 18 anos: Furacão Ike 2008 — O Furacão Ike atinge a Costa do Golfo dos Estados Unidos no Texas, causando sérios danos a Ilha… Continuar leitura arrow_forward

Continue neste assunto

Comentários nesta matéria

Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.

Ainda não há comentários publicados nesta matéria.

Sua avaliação desta matéria

Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.

Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).

Entrar para comentar

Sobre o autor

Por Ivan Marra

Quem sou eu

Sou desenvolvedor de software fullstack com mais de 20 anos de experiência na criação de soluções inteligentes, seguras e escaláveis. Atuo desde o backend até o design de interfaces, unindo…

Mais de Ivan Marra