Deb Haaland é eleita primeira mulher indígena governadora nos EUA
A democrata Deb Haaland foi eleita governadora do Novo México e se tornará a primeira mulher indígena a comandar um Estado americano. Ela derrotou o republicano Gregg Hull, empresário e ex-prefeito de Rio Rancho, uma das maiores cidades do Estado. A vitória foi anunciada na noite de terça-feira (3), durante as eleições de meio de mandato americanas, conhecidas como midterms.
Aos 65 anos, Haaland já havia conquistado um lugar na história política dos Estados Unidos. Em 2021, foi confirmada pelo Senado para comandar o Departamento do Interior durante o governo de Joe Biden, tornando-se a primeira pessoa indígena a ocupar um cargo de secretária — equivalente ao de ministro no Brasil — no gabinete presidencial. O departamento administra terras públicas federais e abriga o Escritório de Assuntos Indígenas (Bureau of Indian Affairs), responsável por questões relacionadas a tribos indígenas reconhecidas pelo governo federal.
Integrante da comunidade Laguna Pueblo, Haaland nasceu no Arizona e cresceu em uma família de militares. A mãe, uma mulher indígena, serviu na Marinha americana, assim como o pai, de origem norueguesa, que passou três décadas no Corpo de Fuzileiros Navais. Ela se identifica como a 35ª geração de sua família no Novo México, onde seus antepassados teriam chegado no século 13.
Sua trajetória até a política nacional foi marcada por dificuldades financeiras. Em 1994, quatro dias depois de se formar na Universidade do Novo México, deu à luz sua única filha, Somah. Como mãe solo, enfrentou dificuldades para pagar as contas e chegou a solicitar assistência alimentar emergencial do governo. Quando a filha ainda era pequena, abriu um negócio de venda de molho de salsa caseiro. Mais tarde, voltou à universidade para estudar Direito Indígena.
Antes de chegar ao Congresso, Haaland trabalhou como voluntária e organizadora de campanhas democratas, incluindo as de John Kerry e Barack Obama. Em 2018, foi eleita para a Câmara dos Representantes pelo Novo México, ao lado de Sharice Davids, do Kansas — as duas se tornaram as primeiras mulheres indígenas eleitas para o Congresso americano. No Legislativo, defendeu propostas progressistas, como o Green New Deal, iniciativa voltada ao combate às mudanças climáticas, e a ampliação do acesso à saúde, além de atuar na defesa dos direitos das comunidades indígenas e da proteção ambiental. Haaland participou de mobilizações contra o oleoduto Dakota Access, cujo trajeto preocupava comunidades indígenas por possíveis impactos sobre suas fontes de água.
A vitória representa mais um marco para a representação indígena na política americana. No Novo México, indígenas correspondem a cerca de 12% da população, segundo dados citados pelo jornal The Guardian. Haaland substituirá a governadora democrata Michelle Lujan Grisham, que não pode disputar um terceiro mandato consecutivo devido ao limite de mandatos previsto na legislação estadual.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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