Quem é Gina Hinojosa, democrata de ascendência mexicana que será 1ª latina a governar o Texas
A deputada estadual Gina Hinojosa, do Partido Democrata, venceu a eleição para o governo do Texas e se tornará a primeira latina a comandar o Estado. Ela derrotou o republicano Greg Abbott, que ocupava o cargo havia mais de dez anos e é um dos governadores mais proeminentes do país e aliado fiel do presidente Donald Trump. A vitória ocorreu na terça-feira (3/11) e se soma à onda que devolveu ao Partido Democrata o controle das duas casas do Congresso nas eleições de meio de mandato.
Hinojosa será também a primeira mulher a governar o Texas desde Ann Richards, que ocupou o cargo entre 1991 e 1995. Desde que o Estado se tornou independente do México, em 1836, e passou a integrar os Estados Unidos, em 1845, o Texas nunca havia eleito uma pessoa de ascendência hispânica para chefiar seu Poder Executivo. Atualmente, os latinos representam 40% da população texana.
Filha de Gilberto Hinojosa, um proeminente político democrata, e de Crisanta Lozano, Gina nasceu em McAllen, em 8 de dezembro de 1973, e cresceu em Brownsville, cidades do Vale do Rio Grande, região na fronteira com o México e de maioria latina. Formou-se em Direito e iniciou a carreira como advogada de direitos civis e trabalhistas, representando integrantes de diferentes sindicatos. Em 2005, integrou a equipe jurídica que apresentou uma ação contra Tom DeLay, então líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, por acusações relacionadas à lavagem de dinheiro.
Ela afirma ter entrado na política por acaso, depois de defender a escola do filho contra o fechamento, quando o Estado ameaçou cortar o financiamento da instituição, em 2012. Venceu aquela batalha e, em 2015, foi eleita presidente do conselho do Distrito Escolar Independente de Austin. No ano seguinte, candidatou-se à Câmara dos Representantes do Texas, motivada pela determinação de destinar uma parcela maior dos impostos locais sobre a propriedade às escolas públicas. Venceu as primárias democratas, que tiveram sete candidatos, e conquistou uma vitória ampla nas eleições gerais de 2016. Durante o mandato, integrou comissões como as de Educação Pública e de Gestão de Terras e Recursos, além de apresentar projetos voltados à educação pública e à transparência e prestação de contas do governo.
Na campanha ao governo do Estado, prometeu melhorias na educação, mas, assim como a maioria dos democratas no país, concentrou o discurso na economia. Entre as propostas, estava o envio de um cheque de US$ 1.500 às famílias texanas, com recursos provenientes das reservas financeiras do Estado — aposta que contrasta com a defesa republicana de redução dos impostos sobre a propriedade. Ela também tem se mostrado cada vez mais crítica aos centros de dados, uma das poucas questões que vêm unindo eleitores texanos de diferentes partidos. Em seu discurso como governadora eleita, questionou se o Texas é "um Estado feito para e pelo povo do Texas ou um mundo para bilionários" e respondeu que o território pertence a pecuaristas, agricultores, famílias trabalhadoras e pequenos comerciantes, e não a empresas nem aos "ricos e bem relacionados".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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