De Bolsa Família a bets, Lula procura “bala de prata” contra ascensão de Flávio
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou em estado de alerta após uma sequência de pesquisas eleitorais mostrar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente em simulações de segundo turno. Segundo uma fonte próxima à campanha, o staff presidencial busca uma "bala de prata" contra o opositor, além de medidas capazes de atrair votos de indecisos e independentes.
A primeira inversão apareceu na pesquisa BTG/Nexus divulgada em 8 de setembro, quando Flávio marcou 46% contra 45% de Lula. Outros levantamentos confirmaram o empate técnico: na Quaest de 21 de setembro, o senador apareceu com 42% contra 41% do presidente; no Real Time Big Data de 24 de setembro, a vantagem foi de 45% a 44%. No Datafolha da mesma data, Lula tinha 47% contra 45% de Flávio, também em empate técnico.
Diante do cenário, o governo intensificou uma série de anúncios de apelo popular. Após dois programas para endividados lançados em 17 de setembro, Lula anunciou mais um Desenrola, com previsão de uso de recursos públicos para comprar de bancos dívidas antigas de consumidores. Também prometeu levar medicamentos contra a obesidade ao Sistema Único de Saúde (SUS), medida que ainda depende de aprovação da Conitec e de definição orçamentária. A ação considerada mais promissora foi o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, que eleva o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777, com pagamentos a partir de 19 de outubro. Nenhuma das medidas, porém, alterou significativamente a popularidade ou os índices de rejeição do presidente.
Nesta sexta-feira (25), Lula assinou em São Paulo uma medida provisória que determina o fim das apostas esportivas e dos jogos virtuais on-line no país. A medida entra em vigor com a publicação e prevê que os apostadores tenham até 5 de outubro para retirar voluntariamente os saldos, com sites e aplicativos saindo do ar a partir de 6 de outubro. Para Leonardo Barreto, da Think Policy, a sequência de anúncios revela um clima de desespero do governo. "O que eu entendo é que o Lula não tem resultados e não tem entregas em outros temas e ele precisa mobilizar", afirmou. "Essa questão de bets está longe de ser uma questão de disputa presidencial."
Com a proibição, o governo mira o público evangélico e, especialmente, as mulheres. Pesquisa "Mulheres & Bets", do Estúdio Clarice em parceria com a Estratégia Latina e o Instituto Ideia, divulgada em agosto, mostrou que 56% dos brasileiros defendiam a proibição das apostas on-line — entre as mulheres, o índice chegava a 62%, contra 50% entre os homens. Levantamento da Atlas/Bloomberg divulgado em 23 de setembro encontrou apoio ainda maior: 75% dos entrevistados concordaram com o banimento. Para Paulo Ramirez, cientista político da ESPM, como a margem entre Lula e Flávio é pequena, "todo voto conta bastante". As bets absorveram R$ 62,5 bilhões da renda das famílias em 2025, segundo cálculo do Comsefaz em parceria com o Cicef, com base em dados do Banco Central.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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