Apostas como 'vilãs' e golpe no futebol: como a imprensa internacional noticiou a proibição das bets por Lula
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proibir as apostas online no Brasil, anunciada na sexta-feira (25/9), a pouco mais de uma semana do primeiro turno da eleição presidencial, foi repercutida por agências e jornais dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França. Os veículos destacaram o peso eleitoral da medida, o endividamento das famílias e o impacto sobre o futebol brasileiro.
Horas antes do anúncio, a agência Bloomberg já antecipava a decisão e a situava no centro da disputa eleitoral. Em reportagem que descrevia Lula pintando as apostas online como vilãs diante de eleitores esmagados por dívidas, a agência afirmou que o presidente vinha atacando o setor em comício após comício, acusando-o de esvaziar os orçamentos das famílias e de enfraquecer o consumo que impulsionou o crescimento econômico em seus governos. Com a eleição a poucos dias e a disputa empatada nas pesquisas, segundo a Bloomberg, Lula transformava retórica em política. A agência informou ainda, com base em duas fontes, que o presidente assinaria no mesmo dia uma segunda medida provisória, voltada à renegociação de dívidas de pessoas físicas.
A proibição foi confirmada no fim do dia, em evento em São Paulo. A medida provisória determina a proibição imediata de depósitos de clientes nos sites de apostas; que os apostadores solicitem o saque de seus fundos até 5 de outubro; o bloqueio de todos os sites licenciados a partir de 6 de outubro; e a proibição imediata de novos contratos de publicidade, com os contratos atuais anulados após 6 de outubro. A MP entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para continuar valendo.
A Reuters noticiou que o anúncio é o mais recente de uma série de medidas reveladas antes da eleição, em um momento em que as pesquisas mostram Lula em disputa apertada com o senador Flávio Bolsonaro. A agência também destacou a preocupação dentro do governo de que os gastos com apostas estejam drenando os orçamentos familiares e contribuindo para níveis recordes de endividamento. A AP registrou que a decisão encerra a operação, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas, e relatou a reação de Flávio Bolsonaro, que acusou o presidente de adotar uma medida eleitoral. A agência lembrou ainda que, dias antes, na Assembleia Geral da ONU, Lula havia acusado o setor de lucrar com o vício e destruir lares.
No Reino Unido, o The Guardian destacou a fala de Lula de que se tratava de uma medida dura, drástica e necessária, e ressaltou que, segundo as pesquisas, a decisão deve ter amplo apoio popular. A agência francesa AFP deu destaque ao impacto no futebol: segundo a agência, 13 dos 20 clubes da primeira divisão têm um site de apostas como patrocinador principal de camisa, e jogadores como Neymar e Vinicius Junior estão entre os rostos mais conhecidos da publicidade do setor. A AFP relatou que Lula comparou as apostas a um câncer, dizendo que ou se retira o tumor, ou ele mata, e que Flávio Bolsonaro o descreveu como desesperado. Segundo a agência, as 85 licenças concedidas ao setor, de R$ 30 milhões cada, não serão devolvidas.
A AFP lembrou que a medida depende do Congresso para se tornar lei definitiva e que o setor promete reagir. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa as empresas licenciadas, alertou que a proibição pode empurrar apostadores para plataformas ilegais e defendeu mais fiscalização em vez do fim do mercado. Segundo o site Rio Times, voltado ao público estrangeiro, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) afirmou que as operadoras consideram ir à Justiça para recuperar o valor das licenças e dos investimentos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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