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De 1,3 milhão a 5 mil votos: como cearenses derrubaram Tiririca após 14 anos eleito por SP

Por Celso Rafael
Atualizado em 05/10/2026 às 15:20 schedule 3 min de leitura visibility 5 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O humorista Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PSD), não conseguiu se reeleger deputado federal nas eleições deste domingo. Depois de quatro mandatos conquistados por São Paulo, ele transferiu sua candidatura para o Ceará, seu estado natal, e obteve 5.523 votos — insuficientes para conquistar uma das 22 cadeiras cearenses na Câmara.

É a primeira derrota eleitoral de Tiririca, que deixará o cargo ao fim da atual legislatura, em 31 de janeiro de 2027. Natural de Itapipoca, no interior do Ceará, ele começou a carreira no circo ainda criança e ficou famoso nos anos 1990 com a música "Florentina" e com programas de humor na TV.

A trajetória nas urnas foi de queda constante. Em 2010, Tiririca surpreendeu o país ao receber 1.353.820 votos por São Paulo, tornando-se o deputado federal mais votado do Brasil e registrando a segunda maior votação da história para o cargo, atrás apenas de Enéas Carneiro, em 2002. O volume de votos ajudou a eleger outros candidatos da coligação, no chamado efeito puxador. Depois disso, a votação caiu a cada eleição: 1.016.796 votos em 2014, 453.855 em 2018 e 71.754 em 2022, quando foi o último colocado entre os eleitos em São Paulo e conquistou a vaga nas sobras, graças ao desempenho do partido.

Na Câmara, ficou conhecido pela assiduidade e pela atuação discreta. Não faltou a nenhuma sessão de votação no primeiro mandato, mas fez apenas seis discursos em plenário desde 2011. A maior parte de seus projetos trata do circo; o de maior destaque alterava a Lei Rouanet para reconhecer a atividade circense como manifestação cultural nacional, aprovado pelas comissões da Câmara em 2017, mas arquivado pelo Senado em 2024. Em novembro de 2025, ele deixou o PL, filiou-se ao PSD e transferiu o domicílio eleitoral para o Ceará.

Nas redes sociais, a derrota virou motivo de comentário entre usuários que se identificavam como cearenses, com boa parte das mensagens em tom de orgulho regional. Tiririca não foi o único nome conhecido a buscar votos longe da base eleitoral de origem. O ex-deputado Jean Wyllys (PT), que teve três mandatos pelo Rio de Janeiro, disputou uma vaga por São Paulo e recebeu 18.073 votos, insuficientes para se eleger. Já Carlos Bolsonaro (PL), vereador do Rio por sete mandatos, transferiu o domicílio para Santa Catarina e foi eleito senador, com cerca de 25% dos votos — a eleição para o Senado é majoritária, sem distribuição de cadeiras pelos votos dos partidos. Também ficaram sem mandato, em São Paulo, a apresentadora Silvia Abravanel e a jornalista Rachel Sheherazade, ambas do PSD, com cerca de 22 mil votos cada uma, além do apresentador José Luiz Datena (PSB), do cantor Netinho de Paula (MDB), do funkeiro MC Gui (PSD) e de Manoel Gomes, o Caneta Azul.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Celso Rafael

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Viúvo, aposentado, pai de 2 filhos. Nasci em Medina, cresci em Belo Horizonte. Ex- servidor público, trabalhei vários anos na prefeitura de Belo Horizonte. Na sociedade civil atuei como Grande…

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