Crise humanitária na Somália agravada pela violência e pelo clima extremo
O Papa Leão XIV manifestou neste domingo, 20 de setembro, "grande preocupação" com a crise humanitária que atinge regiões da Somália. Após a oração do Angelus, na Praça São Pedro, o Pontífice afirmou acompanhar a situação do país africano, onde episódios de violência e eventos climáticos extremos agravam as condições de vida da população, "particularmente das mulheres e das crianças". Ele pediu o "generoso envolvimento da comunidade internacional" para que não falte assistência aos somalis.
O apelo ocorre em um momento delicado. Segundo o plano humanitário das Nações Unidas para 2026, cerca de 4,8 milhões de pessoas necessitam de assistência no país, com maiores carências nas áreas de saúde, água e saneamento, segurança alimentar, abrigo e nutrição. O mesmo documento estima que 3,3 milhões de deslocados internos estejam expostos a riscos de proteção, incluindo violência de gênero, despejos e recrutamento de crianças.
A deterioração climática é um dos principais fatores da emergência. A falta prolongada de chuvas provocou perdas de colheitas, morte de animais, redução das fontes de água e deslocamento de famílias que dependem da agricultura e da criação de gado. Em fevereiro, as Nações Unidas advertiram que 6,5 milhões de somalis — cerca de um terço da população — enfrentavam níveis de fome correspondentes à crise ou a situações ainda mais graves. Mais de 1,8 milhão de crianças menores de cinco anos deveriam sofrer desnutrição aguda em 2026, quase 500 mil delas em sua forma grave.
Em maio, FAO, OCHA, UNICEF e Programa Mundial de Alimentos alertaram que aproximadamente 6 milhões de pessoas, ou 31% da população, enfrentariam níveis críticos de insegurança alimentar entre abril e junho. Cerca de 1,9 milhão de crianças estavam expostas à desnutrição, incluindo 493 mil em situação de desnutrição aguda grave. A capacidade de resposta humanitária, porém, diminuiu: apenas cerca de um terço do orçamento humanitário já reduzido do OCHA havia sido financiado, e o PMA reduziu o número de atendidos por programas de alimentação de aproximadamente 2 milhões para cerca de 600 mil em 2026.
A crise climática se soma a décadas de instabilidade. A Somália enfrenta conflitos internos desde a queda do regime de Siad Barre, em 1991, e o grupo jihadista Al-Shabaab, ligado à rede Al-Qaeda, continua sendo um dos principais atores armados do país, com influência sobretudo em áreas rurais. Nas últimas semanas, confrontos atingiram a região de Baidoa, no sudoeste, aumentando a insegurança para a população civil. Dados das Nações Unidas registram assassinatos e mutilações, violência sexual, sequestros, ataques contra escolas e hospitais e recrutamento de crianças por grupos armados, com aumento de graves violações contra crianças em algumas regiões em 2025.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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