Crise de moradia na Espanha: reviravolta pode levar idosa de 87 anos de volta para casa após ser desalojada em Madri
Maricarmen Abascal, de 87 anos, poderá voltar para o apartamento onde vivia há mais de 70 anos em Madri, na Espanha, após ter sido despejada em 23 de setembro. A informação foi anunciada na terça-feira (29/10) pela advogada da idosa, Beatriz Duro, que afirmou em coletiva de imprensa que houve "boa vontade de ambas as partes" e que sua cliente concordou em retornar sob um novo contrato, pagando um aluguel semelhante ao que pagava antes, evitando assim um aumento significativo.
O caso ganhou repercussão nacional e se tornou símbolo da crise habitacional espanhola. Após o despejo, Maricarmen, que tem problemas de mobilidade, precisou ser hospitalizada. A empresa de investimentos Urbagestión, proprietária do imóvel desde 2018, havia elevado o aluguel de cerca de 500 euros por mês para 2.650 euros. Depois, ofereceu uma redução para 1.650 euros, valor ainda superior à pensão mensal da idosa, de aproximadamente 1.350 euros. O apartamento fica em uma área nobre de Madri, tem 93 metros quadrados e três quartos. Três tentativas anteriores de despejo foram bloqueadas pelos tribunais.
O pai de Maricarmen alugou a casa pela primeira vez em 1956, e ela permaneceu como inquilina após a morte dos pais, em uma época em que havia limite legal para os aluguéis. Durante dias, a Urbagestión foi acusada de se recusar a negociar para que ela pudesse permanecer no imóvel.
A mobilização popular também pressionou o governo. Na terça-feira, o governo de Pedro Sánchez aprovou medidas de auxílio habitacional que agora precisam do aval do Congresso espanhol. Entre elas estão a proibição de despejos até 2030 e a prorrogação por dois anos dos contratos de aluguel com vencimento antes de 31 de dezembro de 2028. Nos últimos dias, milhares de pessoas se reuniram na praça Puerta del Sol, no centro de Madri, montando um acampamento para exigir o retorno de Maricarmen e novas regulamentações sobre direitos habitacionais. Duro afirmou que o acordo é "resultado da mobilização social".
Os apoiadores da idosa comemoraram o resultado como uma vitória, mas prometeram continuar a luta contra despejos semelhantes e por moradias mais acessíveis. Segundo o Banco da Espanha, o país tem um déficit de 700 mil moradias, com base na diferença entre a demanda existente e o ritmo de construção de novas casas.
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