Como um discurso de Marco Rubio resgatou o conceito de “Ocidente” no debate político
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, proferiu em Atenas um discurso que resgatou o conceito de "Ocidente" no debate político, segundo análise publicada pelo jornal italiano La Nuova Bussola Quotidiana. Com o Partenon ao fundo, durante viagem a capitais europeias, Rubio afirmou o pertencimento dos EUA à civilização ocidental e traçou uma linha histórica que liga a Grécia Antiga ao cristianismo e à formação da América.
O discurso teve também um objetivo imediato: reatar as relações entre as duas margens do Atlântico, após a política nacionalista do presidente Donald Trump ter quase rompido com aliados tradicionais. Rubio defendeu que a amizade transatlântica não seja "um jogo de soma zero" e que a aliança entre as nações ocidentais seja mais forte do que a soma de suas partes. "Queremos vencer juntos. Devemos vencer juntos", disse, citando o acordo sobre a Groenlândia.
A parte central da fala, no entanto, tratou da civilização ocidental. Rubio afirmou que o Ocidente existe, mesmo que se queira esquecê-lo, e destacou que é cada vez mais raro um líder ocidental falar nesses termos. Ele citou a herança grega — a busca pelo conhecimento, a curiosidade pelo mundo e a recusa da ideia de impossibilidade — como fundamento da mentalidade ocidental, que abriu caminho para o Evangelho de Jesus Cristo e para a tradição cristã representada por Agostinho, Tomás de Aquino e o direito natural.
Rubio também traçou uma continuidade estética entre a Antiguidade e a cristandade, lembrando que aos construtores do Partenon sucederam os arquitetos das catedrais de Milão, Colônia e Florença, e que a busca grega pela perfeição da forma humana encontrou nova expressão em Michelangelo. Em seguida, fez uma crítica ao Ocidente contemporâneo, dizendo que grande parte dele passou a se envergonhar justamente daquilo que o tornava excepcional, terceirizou sua indústria, abriu fronteiras e transferiu decisões para burocracias globais. Para ele, a próxima década definirá se o Ocidente manterá seu lugar no topo do mundo ou se resignará ao declínio.
Segundo a análise, o discurso não propõe uma redescoberta da diplomacia multilateral nem das instituições supranacionais, mas de uma aliança fundada na civilização comum e em um modelo de vida e cultura compartilhado pelas nações ocidentais. "A história da nossa civilização é a maior história já conhecida pelo homem. E começou aqui, com os primeiros homens e as primeiras mulheres do Ocidente", concluiu Rubio.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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