Como direita radical da Alemanha planeja chegar ao poder com eleição deste domingo e mudar história do país
Uma eleição estadual neste domingo (06/09) na Alemanha pode marcar um feito inédito desde a Segunda Guerra Mundial: a conquista do poder em nível regional por um partido de direita radical. O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) lidera as pesquisas na Saxônia-Anhalt, estado no leste do país, e busca a maioria absoluta no parlamento local.
Uma vitória daria ao AfD o comando de um governo estadual pela primeira vez na história do país no pós-guerra. O partido, que tem forte presença na antiga Alemanha Oriental comunista, também lidera pesquisas nacionais e vê a eleição local como um trampolim para ambições maiores. O resultado, no entanto, pode pressionar o chanceler Friedrich Merz, da CDU, que enfrenta dificuldades políticas e tem sido vaiado em aparições públicas.
O principal nome do AfD no estado é Ulrich Siegmund, de 35 anos, descrito pela revista Der Spiegel como o "Homem Mais Perigoso da Alemanha". Ele rejeita relatos de que seu círculo próximo incluiria ex-integrantes de movimentos neonazistas. A popularidade do partido na região é alimentada por queixas de eleitores sobre imigração, segurança pública, economia, custos de energia e o apoio alemão à Ucrânia.
O programa do AfD para a Saxônia-Anhalt é controverso. A sigla propõe segregar crianças refugiadas em classes especiais, proibir bandeiras do arco-íris LGBT em escolas e reduzir o ensino sobre o período nazista em favor de aspectos positivos da história alemã. O partido também defende a criação de uma força-tarefa para deportar migrantes sem direito de permanência e o fim da imigração "ilegal e culturalmente estrangeira".
Órgãos de inteligência interna classificam a filial local do partido como extremista de direita, acusando-a de "ideologia racista" e objetivos anticonstitucionais — designações que o AfD rejeita como difamações. Os demais partidos mantêm uma "muralha de proteção" e se recusam a formar coalizão com a sigla, o que torna a conquista da maioria absoluta essencial para que ela assuma o governo. A concretização do plano depende, ainda, de partidos menores conseguirem votos suficientes para superar a cláusula de barreira de 5% no parlamento estadual.
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