Como ataque a aeroporto na Arábia Saudita eleva tensão em um Oriente Médio já explosivo
O ataque de sábado ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, deixou pelo menos 12 mortos e 309 feridos, segundo autoridades sauditas. Entre as vítimas fatais estavam quatro sauditas, duas pessoas de Bangladesh e cidadãos dos Estados Unidos, da Jordânia, da Palestina, da Síria, do Sudão e do Egito, conforme confirmou a autoridade de aviação civil do país. As operações no aeroporto foram suspensas após o ataque, o mais mortal no reino desde maio de 2015.
Nas últimas semanas, os houthis intensificaram suas ações em solo saudita, atingindo infraestrutura crítica, como o principal aeroporto da capital, e penetrando com facilidade as defesas aéreas do país. Os danos físicos podem ser reparados rapidamente, mas a reputação da Arábia Saudita como refúgio seguro e estável está sendo duramente atingida. Desde a insurgência da Al-Qaeda em meados dos anos 2000, o reino não enfrentava uma ameaça tão séria.
Os houthis são um grupo político e religioso armado do norte do Iêmen que defende a minoria muçulmana xiita zaidita. Eles se declaram parte do "eixo da resistência" liderado pelo Irã contra Israel, os Estados Unidos e o Ocidente, ao lado de grupos como o Hamas e o Hezbollah libanês. Além dos ataques a aeroportos, o grupo tem buscado controlar posições estratégicas ao longo da costa do Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb, elevando o risco para a navegação nesse corredor marítimo vital.
A guerra civil no Iêmen entre o governo reconhecido internacionalmente, apoiado pela Arábia Saudita, e os houthis, apoiados pelo Irã, já dura mais de uma década e deixou milhares de mortos, mergulhando o país em uma das piores crises humanitárias do mundo. O conflito se insere na tensão mais ampla entre Irã, Estados Unidos e Israel. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o ataque de sábado como "terrível" e indicou que poderá intervir militarmente ao lado dos sauditas, embora uma ação pareça improvável antes das eleições de meio de mandato no país.
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