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Clima, ultrapassado o limite de 1,5°C: o mundo entra na "zona de perigo"

Atualizado em 05/09/2026 às 13:20 schedule 4 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)

Mundo pode ultrapassar limite de 1,5°C e entra em “zona de perigo”, alerta ONU

O planeta está prestes a ultrapassar o limite de aumento de 1,5°C na temperatura média global em relação aos níveis pré-industriais — meta estabelecida pelo Acordo de Paris, em 2015. Segundo um relatório detalhado do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a barreira deixou de ser uma meta realista a ser defendida a todo custo. O alerta da ONU indica que o desafio mudou: não se trata mais apenas de evitar o limite, mas de controlá-lo, limitando sua duração e minimizando suas consequências.

O cenário é agravado pelo retorno do El Niño, fenômeno atmosférico e oceânico que causa aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico tropical e afeta o clima em vastas áreas do planeta. Um “super El Niño”, com pico previsto para o fim do ano, pode elevar ainda mais as temperaturas globais e aumentar a probabilidade de eventos climáticos extremos. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que o fenômeno “está assumindo proporções enormes diante de nossos olhos” e que “o mundo encontra-se em uma zona de perigo”.

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DEVIEM

O El Niño, por si só, não é causa da mudança climática. Mas, quando ocorre em um mundo já aquecido pelas emissões de gases de efeito estufa, pode funcionar como um amplificador passageiro de uma tendência que tem causa estrutural: o acúmulo de dióxido de carbono e outros gases na atmosfera. A meta de 1,5°C foi definida no Acordo de Paris, quando os países se comprometeram a manter o aumento da temperatura “bem abaixo” de 2°C e a envidar esforços para limitá-lo a 1,5°C. Ultrapassar esse limite significaria aumentar progressivamente os riscos de eventos extremos, perda de biodiversidade, elevação do nível do mar, secas, crises hídricas e danos à agricultura.

Hoje, as emissões globais permanecem muito altas e os compromissos governamentais são insuficientes para recolocar o planeta em uma trajetória compatível com as metas de Paris. A distância entre as metas declaradas e as políticas reais torna cada vez mais provável a ultrapassagem do limite. O termo usado para descrever o novo cenário é “excesso”: uma superação temporária do limite previsto, seguida, nos cenários mais favoráveis, por uma subsequente queda nas temperaturas. A questão não é mais se o mundo vai conseguir se manter abaixo de 1,5°C, mas quanto a temperatura subirá acima desse limite, por quanto tempo e com que rapidez será possível reverter o quadro.

Para conter uma possível ultrapassagem, será necessário reduzir drasticamente as emissões e também remover parte do CO₂ acumulado na atmosfera, por meio de reflorestamento, restauração de ecossistemas e tecnologias de captura e armazenamento de carbono. Não existe, porém, atalho tecnológico capaz de substituir a redução de emissões. Políticas de adaptação também são essenciais, com cidades mais resilientes a ondas de calor, sistemas agrícolas capazes de lidar com a seca e infraestrutura preparada para chuvas mais intensas. Segundo a ONU, o El Niño vai passar, como em episódios anteriores, mas o aquecimento causado pelo acúmulo de gases de efeito estufa não desaparecerá tão rapidamente, a menos que as emissões sejam drasticamente reduzidas. Cada décimo de grau evitado representa parte do futuro que ainda pode ser salva.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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