Os alertas vermelhos na campanha de Lula e as armas que ele quer usar
Empate técnico e crise no STF acendem alerta na campanha de Lula
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à metade do primeiro turno em situação oposta à planejada. No dia 16 de agosto, quando o petista abriu a disputa com um ato em São Bernardo do Campo (SP), ele aparecia numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no cenário de segundo turno, com 45% contra 43%. Agora, segundo o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, os dois estão empatados em 44%.
A avaliação de interlocutores da campanha é que a crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), em meio ao escândalo envolvendo o Banco Master, pode respingar em Lula. O temor é que o desgaste do ministro Alexandre de Moraes, visto pela opinião pública como próximo ao presidente, alimente um sentimento antisistema capaz de contaminar a candidatura petista. Na quinta-feira (3/9), Lula usou as redes sociais para defender que a integridade das investigações seja garantida e criticou os "vazamentos seletivos", sem citar nomes.
O estopim da crise foi a divulgação de um relatório da Polícia Federal que aponta troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Dantas e um contato atribuído a Moraes. Em reação, o ministro enviou um despacho acusando o relator do caso, André Mendonça, de, "em tese", ter cometido crimes de responsabilidade e abuso de autoridade. O documento foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, que se pronunciou na sexta-feira (4/9) ao lado de Lula em cerimônia no Planalto. Fachin defendeu o fim do Inquérito das Fake News e afirmou que "nenhuma autoridade está acima da lei".
Para a campanha petista, a crise também desvia o foco de um tema considerado útil: a relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Dantas, que teria financiado, a pedido do senador, o filme "Dark Horse" sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades e diz que a relação era comercial. Com os holofotes sobre o STF, a avaliação é que Lula precisa calcular com cuidado o distanciamento de Moraes para se blindar sem romper com o ministro.
O cenário ainda ameaça a estratégia do governo de aprovar pautas positivas no Congresso para impulsionar a campanha, como o projeto que acaba com a escala 6x1. Medidas como a redução do imposto de renda para a classe média e a nova versão do Desenrola, lançadas neste ano, não deram o fôlego esperado à avaliação do presidente.
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