Ex-premiê diz que escalada de Milei por Malvinas tem objetivo eleitoral e pede reforço militar
Ex-premiê britânico diz que escalada de Milei sobre Malvinas tem objetivo eleitoral e pede reforço militar
O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Boris Johnson afirmou que as medidas anunciadas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, em relação às Ilhas Malvinas têm como alvo a eleição presidencial argentina de 2027. Em coluna publicada no jornal Daily Mail, Johnson disse que, embora não acredite que a tensão leve a uma nova guerra, o governo britânico deve enviar reforços para aumentar a segurança no arquipélago.
As declarações ocorrem após o presidente americano, Donald Trump, ter dito que cogita reavaliar a posição dos EUA sobre a disputa entre Argentina e Reino Unido pelas Malvinas. Atualmente, Washington adota postura de neutralidade, mas reconhece o controle britânico sobre as ilhas. Na quinta-feira, Milei anunciou sanções a empresas que explorarem recursos naturais nas Malvinas e a construção de uma base naval integrada na província da Terra do Fogo.
Johnson afirmou que Milei é “anglófilo e adepto do thatcherismo” e que não acredita que o presidente argentino queira um confronto com o Reino Unido. “No entanto, ele também enfrenta uma campanha de reeleição difícil e pode achar necessário inflamar o sentimento público da maneira nacionalista tradicional”, escreveu. O ex-premiê também relacionou a movimentação à recusa do antecessor de Andy Burnham, Keir Starmer, em ajudar Trump a abrir o Estreito de Ormuz, o que teria irritado a Casa Branca.
Na mira do governo argentino está o projeto Sea Lion, para exploração de uma reserva de petróleo localizada 220 km ao norte do arquipélago. O projeto, que deve começar a extrair petróleo em 2028, é desenvolvido pela empresa britânica Rockhopper e pela israelense Navitas. Em resposta a Milei, um porta-voz do governo britânico afirmou que as forças necessárias para defender a soberania das ilhas “permanecerão lá enquanto os habitantes das ilhas assim o desejarem”.
Johnson cobrou que Burnham “assuma o controle desse problema, e rapidamente”, afirmando que o premiê precisa demonstrar compromisso enviando reforços. “Pode-se dizer que tudo isso é muito barulho por nada e que ninguém na Argentina seria louco a ponto de provocar outro conflito inútil e desastroso, tendo tão poucas chances de sucesso. Você pode até ter razão, mas foi exatamente isso que o Foreign Office pensou em 1982”, escreveu. A disputa pelo arquipélago motivou uma guerra entre Argentina e Reino Unido em 1982, vencida pelos britânicos. Em referendo realizado em 2013, 99,8% dos moradores das ilhas disseram preferir manter o status de território ultramarino britânico.
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