Ciência busca prolongar a vida do cachorro com novas terapias contra o envelhecimento
A busca por formas de prolongar a vida dos cães deixou de ser uma preocupação restrita aos tutores e passou a atrair pesquisadores e empresas de biotecnologia. Estudos recentes tentam entender por que alguns animais envelhecem mais rápido que outros e investigam terapias capazes de retardar doenças ligadas à idade. Não existe, no entanto, tratamento comprovado capaz de fazer um cão viver muito além de sua expectativa natural.
Uma das frentes de pesquisa envolve medicamentos. Há empresas que estudam o reaproveitamento, para cães, de substâncias já aprovadas para uso humano, enquanto outras desenvolvem novos compostos para combater problemas associados ao envelhecimento, como a sarcopenia — perda de massa muscular — e doenças renais. Também há pesquisas com terapia genética. A Rejuvenate Bio trabalha em uma terapia inicialmente voltada à doença da válvula mitral, uma das principais doenças cardíacas dos cães, com a expectativa de que a mesma tecnologia possa futuramente ser usada contra alterações metabólicas e para aumentar a longevidade. Já a Genflow Biosciences pesquisa uma terapia genética com o objetivo de ampliar a longevidade e reduzir a sarcopenia.
Essas abordagens seguem experimentais: não há evidências suficientes para afirmar que os tratamentos fazem os cães viverem mais. Para que uma terapia seja considerada segura e eficaz, é preciso demonstrar em estudos controlados que seus benefícios superam os riscos e que os resultados são reproduzíveis. A alimentação também aparece entre as estratégias estudadas, com formulações que incluem probióticos e outras mudanças na dieta para melhorar a saúde dos animais e, potencialmente, ampliar o período de vida saudável.
Enquanto a ciência avança, medidas já conhecidas contribuem para um envelhecimento mais saudável: alimentação adequada, controle de peso, atividade física compatível com a idade e acompanhamento veterinário regular. Esse cuidado ganha importância nos cães idosos, porque doenças cardíacas, renais, articulares e metabólicas tendem a se tornar mais frequentes com o avanço da idade, e a identificação precoce permite tratar alterações antes que comprometam a qualidade de vida. Especialistas lembram que longevidade não significa apenas viver mais anos, mas preservar a saúde nesse período — por isso, medicamentos ou suplementos vendidos com a promessa de retardar o envelhecimento devem ser avaliados com cautela e não administrados por conta própria.
Um estudo publicado na revista Science analisou 894 cães de cerca de 120 raças e encontrou pistas para explicar por que cães grandes geralmente vivem menos que os pequenos. Raças como o Wolfhound Irlandês têm expectativa média de vida de aproximadamente dez anos ou menos, enquanto cães de pequeno porte podem chegar a duas décadas. A pesquisa mostrou que cães maiores acumulam alterações epigenéticas mais rapidamente — mudanças químicas no DNA que não alteram a sequência genética e ajudam a controlar a atividade dos genes. Parte dessas alterações ocorre em estruturas conhecidas como “genes saltadores”, capazes de mudar de posição no genoma. O estudo também identificou diferenças entre os sexos: machos apresentaram alterações epigenéticas mais rápidas que as fêmeas, inclusive quando castrados jovens, possivelmente por causa do cromossomo X. Os pesquisadores ressaltam, porém, que ainda não se sabe se essas alterações provocam diretamente o envelhecimento ou se apenas estão associadas a outros processos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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