Ceará, Pernambuco, Rio e outras disputas de governo estadual que você precisa ficar de olho
As eleições para os governos estaduais, que começam neste domingo no primeiro turno, devem reconfigurar arranjos políticos em diferentes regiões do país. Em um cenário de disputa presidencial acirrada, os palanques locais ganham peso adicional, e acordos com lideranças capazes de oferecer apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou a Flávio Bolsonaro (PL) passam a ser tratados como decisivos para a etapa seguinte.
Em Pernambuco, segundo maior colégio eleitoral do Nordeste, a disputa entre Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição, e João Campos (PSB), ex-prefeito de Recife, chega tecnicamente empatada à reta final. Segundo o cientista político Juliano Domingues, da Universidade de Pernambuco, o primeiro turno tem "dinâmica de segundo", com foco em apenas dois candidatos. As bases eleitorais são bem delimitadas: Raquel tem melhor desempenho entre eleitores de direita, evangélicos e homens; João lidera entre mulheres e setores da esquerda. Ambos buscam exibir boa relação com o governo Lula, aprovado por 59% dos pernambucanos, segundo a AtlasIntel divulgada em setembro.
No Ceará, a disputa entre o atual governador Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB) pode redesenhar um dos arranjos políticos mais duradouros do país. Para o cientista político Clayton Cunha Filho, da Universidade Federal do Ceará, o grupo que está no poder desde a primeira eleição de Cid Gomes, em 2006, corre o risco de ser desmantelado caso Ciro vença. O pesquisador avalia que boa parte da base que hoje apoia Elmano migraria para o campo do tucano. Ciro, que já foi associado à centro-esquerda, agora integra uma coligação à direita que inclui União Brasil, PP e o PL de Flávio Bolsonaro, mas busca se desvincular da imagem de aliado do bolsonarismo.
Na Bahia, maior colégio eleitoral do Nordeste e quarto do país, com 11,3 milhões de eleitores, a reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) ou a vitória de ACM Neto (União Brasil) definirá se o PT chega a um sexto mandato consecutivo. Em 2022, Jerônimo venceu por 52% a 47%. Agora, as pesquisas projetam disputa ainda mais acirrada, com levantamentos recentes apontando empate técnico dentro da margem de erro. Segundo o professor Cláudio André de Souza, da Unilab e pesquisador da UFRB, o resultado pode ser decidido por quem conseguir reequilibrar o desempenho entre cidades pequenas e grandes.
Também merecem atenção as disputas em São Paulo e Minas Gerais, onde o PT segue com dificuldades e vê suas candidaturas estagnadas; no Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes (PSD) tenta conciliar o apoio a Lula com a preservação de votos entre eleitores bolsonaristas; no Paraná, onde está em jogo a continuidade de um grupo no poder desde 2010; e no Distrito Federal e no Amapá, onde controvérsias locais atravessam as campanhas com repercussão para além de suas fronteiras.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar