Caso Vorcaro-Moraes pode alimentar onda antipolítica e favorecer Cury e Renan Santos nas eleições 2026, diz cientista política
A troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e um número associado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode reforçar um sentimento de descrédito em relação às instituições e abrir espaço para candidaturas que se apresentam como alternativas à política tradicional. A avaliação é da cientista política Graziela Testa, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em entrevista à BBC News Brasil.
Segundo Testa, ainda é cedo para medir os efeitos eleitorais do episódio, já que novas informações podem surgir e alterar a percepção pública sobre o caso. Ela afirma que eleitores indecisos tendem a ser os mais afetados pelas notícias recentes, enquanto apoiadores fiéis de candidatos como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem manter suas preferências. "A grande pergunta é o quanto o eleitor indeciso será impactado", diz. "Há o risco do escândalo resultar em um sentimento antipolítica, com o eleitor entendendo que a política tradicional está contaminada."
Nesse cenário, a cientista política aponta que candidatos como Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) podem ganhar vantagem. O desafio, segundo ela, será conseguir se posicionar como atores externos à política tradicional brasileira. "A questão é qual deles vai conseguir comunicar para a população a ideia, de fato, de [ator] externo", afirma. Cury aparece em terceiro lugar na corrida presidencial, com 10% das intenções de voto no primeiro turno, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Renan Santos aparece na quarta posição, com 4%. Lula lidera com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 31%.
Testa também acredita que o episódio deve dominar o debate público nas próximas semanas, reduzindo temporariamente a atenção dedicada a outros temas políticos. "É muito provável que a agenda pública fique voltada para isso agora e que outras questões diminuam", diz, em referência a outros escândalos que envolvem candidatos à Presidência. Ela ressalta, porém, que ainda há incertezas sobre os desdobramentos e que novas informações podem modificar a compreensão pública dos fatos. A cientista política também destaca a importância de diferenciar críticas a integrantes específicos do Judiciário da avaliação sobre as instituições em si.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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