'El Niño de proporções gigantescas': o alerta da ONU para fenômeno que põe planeta em 'águas desconhecidas'
El Niño pode ser o mais forte em mais de 70 anos, alerta agência da ONU
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, divulgou dados indicando que o atual El Niño pode se tornar o mais forte em mais de 70 anos e durar pelo menos até fevereiro de 2027. O alerta foi feito em meio a preocupações com eventos climáticos extremos em diferentes partes do planeta.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o fenômeno "está ganhando proporções gigantescas" e que o planeta está entrando em "águas desconhecidas", com temperaturas cada vez mais altas. Segundo a OMM, na principal região do Pacífico usada para monitorar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar ficou mais de 2°C acima da média nas últimas semanas, o que já colocaria o episódio na categoria "muito forte". As previsões indicam que a temperatura pode chegar perto de 4°C acima da média, o que faria deste o El Niño mais intenso desde pelo menos 1950.
O fenômeno altera os padrões climáticos globais, provocando secas em algumas regiões e chuvas intensas em outras. São esperadas condições mais secas que o normal em áreas do Sudeste Asiático, da América Central e do norte da América do Sul, com risco de secas e incêndios florestais. Por outro lado, há previsão de chuvas acima da média em partes do leste da África, do sul do Brasil e do sul dos Estados Unidos, aumentando o risco de enchentes. A Indonésia, por exemplo, tenta conter incêndios florestais que já queimaram mais de 107 mil hectares, enquanto a China espera que sete tufões atinjam seu território somente neste ano.
Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, afirmou que o El Niño tem potencial para causar um enorme impacto em comunidades e economias de todo o mundo. A agência disse ter realizado uma "grande mobilização" para que suas previsões sobre possíveis eventos extremos cheguem ao maior número possível de comunidades. Os efeitos do fenômeno se somam ao aquecimento global de longo prazo provocado pela atividade humana, o que pode tornar os impactos ainda mais intensos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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