Cabo Delgado: “Não ficamos calados”, diz o bispo de Pemba
O bispo da Diocese de Pemba, em Moçambique, D. António Juliasse F. Sandramo, afirmou que a Igreja Católica não se cala diante da violência que atinge a província de Cabo Delgado, no norte do país. Em entrevista aos jornalistas Henrique Cunha, da Renascença, e Octávio Carmo, da Agência Ecclesia, o bispo relatou que cerca de 12 cristãos foram decapitados neste ano na região. “Esta é uma terra de mártires”, declarou.
Segundo D. António Juliasse, não há horizonte para o fim do conflito em pouco tempo. Passados nove anos desde os primeiros ataques, em 5 de outubro de 2017, as estimativas mais recentes apontam mais de 6.600 vítimas mortais e mais de 1 milhão de pessoas deslocadas. O bispo também alertou para focos de subnutrição, sobretudo entre crianças, em várias aldeias e campos de reassentamento, e para a dificuldade de muitas famílias de garantir alimentação e acesso à escola.
Ele acrescentou que organizações humanitárias estão impedidas de chegar a zonas consideradas de alto risco, sobretudo por causa dos raptos com pedidos de resgate. A Igreja Católica, disse, mantém os alertas desde o início do conflito e continuará a fazer ouvir sua voz. O bispo manifestou ainda preocupação com a falta de esclarecimento sobre o assassinato de D. Osório Citora Afonso, bispo de Quelimane, e defendeu que a verdade sobre o crime seja encontrada.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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